Confesso: essa pergunta ressoa com frequência em minha mente. E não é difícil perceber que, ao nosso redor, é mais comum ouvir lamentos do que contentamentos. Há uma inquietude generalizada, uma falta de paz — aquela sensação sutil, mas insistente, de que falta algo.

Essa ausência de satisfação parece afetar pessoas de todos os níveis de discernimento. Por isso, penso que o assunto merece uma investigação mais profunda. Como sempre faço neste espaço, início pela autoanálise.

Dizer que tudo se deve à “complexidade da mente humana” já não me satisfaz. Quando reflito sobre o fato de que nossos desejos e escolhas podem ter origem em camadas inconscientes da mente, começo a desconfiar: será que essa sensação de incompletude não é exatamente nossa, mas fruto de algo que nos habita sem que saibamos?

É como se os dilemas da vida sempre viessem com uma resposta padrão: “é a complexidade da existência.” Mas isso não responde nada.

Já me detive muitas vezes diante de perguntas como:
“Por que isso aconteceu comigo?”
“Por que minha vida não pode ser mais simples?”
“Por que tive que viver uma experiência tão amarga?”

Mais intrigante ainda é perceber que grande parte das pessoas atravessa a vida sem jamais se questionar sobre o que significa estar vivo. Viver sem sentido, a meu ver, é a evidência mais concreta de que há algo muito errado na forma como compreendemos a nós mesmos.

Essa inquietação é parte da minha jornada, que tem sido guiada pelo processo de individuação descrito por Jung. Um caminho de retorno a si, de reconhecimento da alma como um território a ser explorado.

Todos conhecemos alguém assim — ou talvez sejamos ou já fomos essa pessoa inquieta, que busca algo que nem sabe nomear. E você, sente essa inquietude?

Pensei: se esse questionamento emerge com tanta força, talvez seja porque algo dentro de nós pressente que a imagem que fazemos de nós mesmos é incompleta. E talvez, só talvez, essa inquietude seja o chamado mais profundo para que despertemos.

Siga nossa série de seis reflexões sobre “A Inquietude Humana e o Chamado da Alma”

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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