Enquanto fazia a revisão final do novo livro que lançaremos em breve, um insight me atravessou.
E se eu pudesse refletir sobre esse tema sem rodeios?
Falar direto à alma feminina.
À alma da mulher jovem que se cala.
Pensei um pouco… e escrevi.
Há dores que não encontram palavras.
Experiências que não cabem em frases, que não se explicam — apenas se sentem.
O corpo sente antes.
Antes da consciência saber. Antes da mente entender.
E quando o corpo cala — por cansaço, repressão ou hábito — a alma começa a gritar.
Ela grita nas noites insones.
Nos apertos no peito sem motivo aparente.
Nos choros contidos.
Nos silêncios longos.
Nos “tá tudo bem” que escondem abismos.
Vivemos numa sociedade que ensina a calar.
A engolir o choro.
A sorrir para agradar.
A ser forte o tempo todo.
Mas o preço do silêncio imposto ao corpo é alto.
Mais cedo ou mais tarde, ele se revela:
Em ansiedade, em tristeza profunda, em dores que nenhum exame explica.
A alma encontra um jeito de ser ouvida.
E esse grito da alma não é loucura.
É um chamado.
Um pedido de cuidado.
De reconexão.
Nos meus atendimentos clínicos — e nas conversas da vida — percebo que a cura começa com uma permissão:
Permissão para sentir.
Para ouvir o que dói.
Sem julgamento. Sem pressa. Sem precisar resolver de imediato.
Permitir que o corpo fale é permitir que a alma descanse.
É abrir espaço para o reencontro com o que há de mais verdadeiro em si.
E, talvez, para uma nova forma de viver:
Mais inteira.
Mais livre.
Mais você.

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