Ontem aconteceu o aniversário de quatro anos do meu filho número sete, o pequeno Jr., o “top do T21”, como gosto de chamá-lo carinhosamente. Normalmente, em festas infantis aqui no Brasil, os pais costumam investir tempo e energia preocupados com a decoração perfeita, os convidados e inúmeros detalhes que nem sempre são importantes para quem realmente interessa: o aniversariante. Porém, ontem decidimos fazer algo diferente. Nossa única preocupação foi criar um ambiente onde o pequeno Jr. pudesse se sentir livre, confortável e genuinamente feliz.
Os balões, que antes seriam elementos decorativos cuidadosamente arranjados, ficaram disponíveis para ele brincar à vontade. As conversas dos adultos presentes tiveram um único foco: celebrar a trajetória e as conquistas do Jr. A atenção estava totalmente voltada para ele. Não houve repreensão quando nosso pequeno deu um tapa no bolo ou quando, cheio de energia e alegria, correu de um lado para outro chutando balões. Ver aquela felicidade genuína foi algo verdadeiramente emocionante.
Recordei-me dos aniversários anteriores, quando nos preocupávamos tanto com detalhes superficiais que pouco tinham a ver com nosso filho. Ontem percebi claramente que eu e Deise, mãe do Jr., estamos amadurecendo. Foi memorável justamente pela simplicidade, pela verdade daquele momento, completamente centrado na felicidade do aniversariante. A informalidade revelou nossa maturidade e autenticidade, e isso foi maravilhoso.
Esse episódio me fez refletir sobre algo profundo na visão de Carl Jung: “O privilégio de uma vida é tornar-se quem você realmente é”. À medida que amadurecemos, nossa alma realmente anseia por autenticidade. Jung chamou esse processo de “individuação”, quando começamos a abandonar as expectativas externas e nos permitimos abraçar nossa verdadeira essência.
Quantas vezes não vivemos moldados por opiniões alheias, presos a máscaras sociais, que Jung chamou de “persona”? Retirar essa máscara não é simples, mas é profundamente libertador. Quando conseguimos, nossa identidade genuína emerge, revelando quem realmente somos, sem disfarces ou artifícios.
Ao mesmo tempo, enfrentamos nossa “sombra”, os aspectos ocultos e reprimidos da nossa personalidade. Integrar esses aspectos é um desafio, mas também é um ato de coragem que nos leva à verdadeira liberdade interior. Quando aceitamos nossa complexidade, nossa psique ganha profundidade e autenticidade.
Em essência, amadurecer, segundo Jung, é viver com menos máscaras e mais verdade, menos negação e mais aceitação. Essa é a jornada para dentro de nós mesmos, rumo à completude e à plenitude que tanto desejamos. Ontem, no aniversário do Jr., demos mais um passo significativo nessa jornada. Que possamos todos viver cada vez mais assim: em sintonia com nossa verdade interior.


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