À primeira vista, essa pergunta pode parecer desconfortável. Mas pense um pouco nas suas emoções, na forma como reage diante de situações que fogem ao seu controle. Aquele momento em que, sem perceber, você responde rispidamente a alguém ao seu redor, sem motivo aparente.
Reflita comigo: o que geralmente se pensa — pelo menos os mais sensíveis? “Não estou em um bom dia hoje.”
Quero compartilhar um hábito pessoal que me ajuda a lidar com essas questões. Antes de dormir, faço uma revisão mental rápida do meu dia. Resumindo, funciona assim: penso no que fiz, reconheço onde poderia ter agido diferente e me perdoo pelas falhas. Dessa forma, evito carregar o peso da culpa, mas me comprometo a aprender com os erros. Depois, agradeço pelos momentos bons e encaro o novo dia como uma página em branco, cheia de possibilidades. Pode parecer um pequeno ritual, mas é um compromisso sólido com minha saúde mental.
Os estudos da mente humana mostram que a normalidade é relativa. Todos nós, em maior ou menor grau, carregamos traços neuróticos — como Freud classificou. Em alguns casos, surgem estruturas psíquicas mais complexas, como as psicoses e perversões. Mas, independentemente do diagnóstico ou classificação, a questão central permanece: se queremos qualidade de vida e relações mais saudáveis, precisamos olhar com atenção para nossa saúde mental.
Muitas vezes, nossas reações impulsivas nos trazem dor e sofrimento. Agora, você pode responder à pergunta inicial: por que a vida é assim? Talvez faça sentido a frase de uma canção dos anos 80: “Não pedi para nascer, não quero ser vítima das circunstâncias.”
Contudo, é exatamente isso que acaba acontecendo: quando não desenvolvemos consciência sobre nossas emoções, nos tornamos reféns delas. E as consequências dessas reações automáticas tornam-se uma constante em nossa vida, gerando desequilíbrio — a tão temida ausência de saúde mental.
Refleti sobre isso ao ler George Vaillant, que desafia uma citação de T.S. Eliot: “Se alguém não tem força para impor seus próprios termos à vida, deve aceitar os termos que a vida impõe.” Vaillant propõe o oposto: a verdadeira saúde mental não está na resignação, mas na capacidade de adaptar-se ativamente às circunstâncias sem perder a integridade psicológica.
E aqui chegamos a um ponto essencial: adaptação. Quero convidá-lo a refletir sobre isso. Adaptar-se não significa submissão nem abrir mão da própria vontade. Pelo contrário: é aprender a diferenciar o que é aceitável e justo daquilo que é abusivo.
Resistir a tudo pode ser tão prejudicial quanto ceder a tudo. A verdadeira sabedoria está no equilíbrio entre firmeza e flexibilidade, entre o que precisa ser preservado e o que precisa ser transformado.
Se há algo que realmente define uma mente saudável, é a capacidade de navegar pelas incertezas da vida sem perder o próprio centro. Isso exige autoconhecimento, percepção e coragem para mudar — não necessariamente as circunstâncias, mas a forma como lidamos com elas.
Agora, deixo um convite: que tal experimentar o exercício que mencionei no início deste texto? Antes de dormir, revise o seu dia sem culpa, mas com aprendizado. Reconheça suas falhas sem se julgar. Celebre seus acertos sem se apegar ao passado. Amanhã é um novo dia, e você pode escolher como vai enfrentá-lo.
E você, como tem se adaptado aos desafios da vida?

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