Você já tentou construir um castelo de cartas? É um exercício de delicadeza, que exige tato e paciência para equilibrar cada uma das vinte e oito folhas do baralho. Um pequeno deslize e tudo desmorona. Assim também é a busca pelo equilíbrio emocional para aqueles que não sabem como se manter estáveis internamente.
Hoje, quero te convidar a refletir sobre um visitante constante da mente humana: o medo.
Quem nunca sentiu medo? Ele faz parte da existência, um mecanismo natural de defesa. Mas quando se instala como um companheiro permanente, deixa de ser apenas um sentimento e se transforma em uma prisão. O medo constante nos acorrenta dentro de nós mesmos, tornando nossa própria mente um território hostil.
E qual a consequência? Pensamentos negativos que inundam a consciência, um fluxo incessante de inquietação. No fundo, trata-se do desequilíbrio entre o real e o imaginário, entre o que existe e o que tememos que exista.
Spinoza nos ensina que, para viver sem medo, é preciso abandonar tanto a esperança quanto o temor e, em seu lugar, abraçar a compreensão. Porque compreender é libertar-se.
O ser humano tem uma capacidade extraordinária de superar adversidades. Mas, para isso, é preciso confiar mais em si mesmo e menos nas sombras que o medo projeta. Afinal, o medo só tem poder quando o alimentamos.
Agora, pense por um instante: o que você mais teme? Esse pensamento que ecoa constantemente na sua mente… Ele te causa angústia, certo? Mas será que é real? Ou apenas uma construção da sua imaginação?
Ontem, durante uma reunião online, pude constatar como o equilíbrio é poderoso para enfrentarmos nossos medos e triunfar diante da realidade. Ouvi um relato que, mesmo para mim – alguém com experiência de vida –, foi impactante. Confesso que foi uma experiência enriquecedora e gratificante.
Uma jovem parlamentar, que dias atrás estava tomada pela apreensão, compartilhou sua jornada de superação. Ela seguiu a sugestão que demos: buscou equilibrar seus temores mentais com a realidade. O que aconteceu? Toda a sua aflição se dissipou. Sua mente, antes aprisionada pelo medo, agora a impulsionou para a maior realização de sua carreira.
O medo só tem poder quando lhe damos espaço. Mas quando escolhemos o equilíbrio, ele perde a força, e a vida nos surpreende.
Por fim, concordo com Spinoza: o segredo está na compreensão. É abandonar a ilusão do controle e abraçar, com serenidade e resignação, o que está por vir. É um pensar sereno, uma entrega honesta a si mesmo:
“Fiz o que podia diante do que se apresentou. Agora, não depende mais de mim. O que vier será o que deve ser.”
Talvez esse seja o verdadeiro ato de coragem: desarmar-se das muitas expectativas e simplesmente pisar no chão firme da realidade. Sentir a vida em seu fluxo natural, com equilíbrio, e sem medo.

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