Pise no chão

Essa é uma expressão que me acompanha há muito tempo. Minha mãe dizia isso na minha infância. Ela foi a pessoa mais pragmática que conheci—uma polaca/alemã, ariana, extremamente proativa.

Ontem, sentado no meu canto favorito da casa, esse insight me ocorreu. Posso assegurar que foi como uma voz dentro da minha cabeça dizendo: “Pise no chão.”

E agora, quero te convidar a uma autoanálise. Você está vivendo de verdade ou apenas existindo dentro de uma bolha?

Como perceber isso?

Se sua mente está carregada de incertezas, se a indecisão domina seus dias e a ansiedade surge sem motivo aparente, isso pode ser um sinal. Quando nos deixamos levar por preocupações difusas, um ciclo vicioso se forma. Sentimos que estamos em movimento, mas, na realidade, estamos presos. O resultado? A qualidade de vida despenca, e o bem-estar parece escorrer por entre os dedos.

Então, pise no chão.

O que me fez pensar nisso?

Ontem, como faço ao final de todos os dias, me atualizei sobre geopolítica. Para um aquariano como eu, isso é tão necessário quanto a liberdade de ficar em silêncio, refletindo.

Mas penso diferente da maioria. Não me deixo levar pelo medo que domina as manchetes. Não fico apreensivo quando um “especialista” pomposo anuncia que estamos à beira do colapso, que a sociedade e os governos mundiais estão em iminente desintegração. O que vejo é apenas o fim de mais um ciclo—e o nascimento de outro. Isso já aconteceu antes.

A questão é: quanto isso está te afetando?

Você está ansioso, apreensivo, temendo o futuro? Ou está com os pés no chão?

Nada disso é novo

Lembro das décadas de 1980 e 1990, antes da queda do Muro de Berlim. O mundo caminhava para o fim da Guerra Fria, e havia uma euforia sobre o que viria pela frente. Foi, de fato, um momento extraordinário, sobretudo porque envolveu pessoas comuns que decidiram agir contra um sistema que dividia o mundo em duas frentes antagônicas. Mas um fato não mudou até hoje: em ambos os lados dessa polarização, havia pessoas como nós, cansadas de ter suas mentes moldadas pelo Estado, recusando-se a aceitar que lhes dissessem o que pensar, o que ler, como viver.

Os “ismos” — ideologias fechadas que prometem respostas absolutas — continuam por aí. Ainda há quem viva preso a bolhas ideológicas, repetindo narrativas sem questionar, enxergando o mundo apenas pelo filtro que lhe foi imposto.

Mas nada disso é novidade. A história se repete. E, ao que tudo indica, muitas pessoas estão despertando novamente, saindo de suas bolhas e pisando no chão.

Não é o fim do mundo

Para mim, isso não é o fim do mundo. Aliás, nunca concordei com essa ideia. Acho presunçoso acreditar que uma ideologia ou crença específica pode levar o mundo à sua destruição ou a um estado ideal.

No fim das contas, pouco importa o que está acontecendo nos palácios de governo ou nas manchetes alarmistas. No exato instante em que escrevo, crianças estão nascendo, animais correm livres, plantas florescem. Ao mesmo tempo, há pessoas partindo, terremotos acontecendo, oceanos se movendo. Violência e paz coexistem. Amor e ódio caminham lado a lado. Alegria e sofrimento fazem parte da experiência humana.

Independente de onde você esteja, de sua cultura, crença ou ideologia, viver é viver.

Todos respiramos, precisamos de nutrição, abrigo, temos desejos. Mas além das necessidades básicas, o que realmente precisamos é pisar no chão e viver o presente.

Como fazer isso?

Nos afastando das bolhas. Saindo do automatismo. Vivendo plenamente. Parando para refletir sempre que nos sentirmos soterrados por pensamentos caóticos e conjecturas sem fim.

Pare e reflita. Você está com os pés no chão?

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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