Estou no meu ano sabático. Desde as primeiras horas de 2025, venho refletindo sobre temas que remetem à espiritualidade e à natureza da existência. Tenho percebido que o autoconhecimento começa quando compreendemos aquilo que não somos.

Quando deixamos de nos definir pelo que a família, a sociedade ou as circunstâncias dizem sobre nós, entramos no terreno da realidade psíquica. As fantasias deixam de nos guiar, e passamos a enxergar a vida com mais autenticidade.

Foi com essa compreensão que decidi, ao longo deste ano, afastar dos meus pensamentos qualquer ideia que me leve a acreditar que algo externo guia minha existência. Sempre fomos ensinados a buscar respostas fora de nós, mas e se elas sempre estiveram dentro?

Mas, afinal, o que sou?
Penso que sou uma consciência muito antiga, presente na dimensão da matéria, que, por meio das percepções, busca experienciar os múltiplos aspectos da existência. A vida não é um destino fixo, mas um campo de descobertas constantes. Cada sensação, cada emoção, cada encontro contribui para essa jornada de expansão da consciência.

A frase “A verdade sobre si mesmo te liberta” agora faz todo sentido para mim. Mas percebo que essa verdade não é um conceito absoluto, nem uma revelação definitiva. É um processo contínuo de desconstrução das crenças que foram implantadas em nossa mente ao longo da vida. É libertador perceber que não somos prisioneiros de dogmas ou ideias limitantes — podemos nos reinventar a cada instante.

Lembro-me de quando, anos atrás, eu ainda buscava validação nos papéis que desempenhava. Eu era definido pelo que fazia, pelas expectativas alheias, pelas opiniões externas. Era como se eu vestisse máscaras para cada ambiente: uma no trabalho, outra em casa, outra nas relações sociais. Mas um dia, diante do espelho, perguntei a mim mesmo: se todas essas máscaras caíssem, o que restaria? Foi nesse instante que compreendi que eu era algo além de rótulos e definições. Era a presença silenciosa por trás de tudo isso.

Sobre as questões transcendentes, chego à conclusão de que a fé existe, mas é pessoal. Não pode ser imposta, nem explicada racionalmente. Cada indivíduo encontra seu próprio caminho para o sagrado. A espiritualidade não é uma regra universal, mas um diálogo íntimo entre a consciência e aquilo que ela reconhece como divino.

E então surge a pergunta inevitável: o que é Deus?
Para mim, Deus é a luz interior. Nunca foi algo separado ou distante do ser humano, mas sempre esteve presente no centro da consciência. A ideia de um Deus externo, inatingível, sempre me pareceu uma projeção do medo e da insegurança humana. Mas quando olho para dentro, percebo que a centelha divina sempre esteve ali, esperando para ser reconhecida.

“O Reino de Deus está dentro de vós.”
Agora compreendo o verdadeiro significado dessas palavras. O divino não é um conceito abstrato, nem um ser distante, mas um estado de consciência plena. Quando estamos alinhados com essa verdade, nossos pensamentos e ações fluem em harmonia com a vida e com tudo o que existe.

Neste ano sabático, minha busca não é por respostas prontas, mas pela experiência viva da autenticidade. Quero descobrir o que significa existir sem ilusões, sem máscaras, sem o peso de narrativas impostas. Talvez a verdadeira espiritualidade não esteja em dogmas, mas na simples e profunda conexão com aquilo que realmente somos.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

Let’s connect