Antes de culpar alguém ou alguma circunstância pelo que lhe aconteceu, pare. Encare a verdade: você está errado.
Sua vida é o reflexo das suas escolhas, conscientes ou não. Muitas vezes, acreditamos ter sido influenciados por outros, mas, no fundo, fomos nós que nos permitimos, que nos submetemos. Escolhemos – ainda que sem perceber – para apaziguar conflitos internos.
Posso listar inúmeros fatores que levam às escolhas inconscientes, mas há um que se destaca e aprisiona a maioria das pessoas: a culpa.
Um Relato Pessoal
Lembro de uma sessão de terapia durante minha formação em psicanálise. Minha terapeuta pediu que eu falasse sobre algo que me chateava no presente. Sem perceber, comecei a intelectualizar minha rotina, listando pequenas fugas que adotava para evitar o cotidiano. Eram coisas bobas, mas que consumiam grande parte do meu tempo.
No final da sessão, ela olhou para mim e disse:
— Ei, Elizeu, você sabe bem como resolver isso, né? Pense um pouco.
A verdade era simples: não havia nenhum grande trauma, apenas a velha tendência de evitar o desprazer – algo que Freud já explicava. No fundo, eu estava fugindo do desconforto, postergando o que era necessário.
Mas Viktor Frankl nos ensina que o sofrimento faz parte da vida. Assim como nascer é o evento mais natural da existência, o sofrimento também é. O que realmente importa não é evitá-lo, mas como você escolhe encará-lo.
Se você vive reclamando que não tem tempo para fazer o que gosta, talvez não goste tanto assim, porque qualquer pequeno imprevisto já te tira do foco.
Sejam problemas pequenos ou desafios gigantescos, tudo depende da forma como você os encara.
A Ilusão do Entendimento
O físico Richard Feynman, pioneiro da eletrodinâmica quântica e ganhador do Prêmio Nobel, desenvolveu um método para aprender qualquer coisa. Ele dizia que existem dois tipos de conhecimento:
- Saber o nome de algo.
- Realmente conhecer algo.
E essas duas coisas não são a mesma coisa. Sua técnica, conhecida como Método Feynman, foi criada para evitar a ilusão do entendimento. Ele escreveu:
Se você se escutar dizendo: “Acho que entendi isso”, significa que não entendeu.
Na vida, fazemos exatamente isso. Achamos que sabemos o que fazer apenas porque conseguimos nomear o problema. Mas, como Feynman nos ensina, isso não significa que realmente o compreendemos. E sem compreensão real, continuamos estagnados.
Dizemos “estou triste”, como se fosse uma condição inevitável, mas raramente paramos para perguntar: por quê? O que dentro de mim causa essa tristeza? O que estou ignorando?
A resposta está sempre lá. Só falta você encará-la.
O Enfrentamento
Jung me impactou profundamente com uma frase:
“Um problema nunca deixará de existir só porque você o ignora.”
O que aprendi – e implementei na minha vida – é que devemos encarar a vida de frente.
Seja no trabalho, nos relacionamentos ou no dia a dia, o caminho é sempre o mesmo: comece pelo que parece mais difícil.
Dê o primeiro passo.
Depois disso, tudo começa a fluir. No final do dia, você olha para trás e percebe que foi vitorioso pelo simples fato de ter enfrentado o que precisava ser enfrentado.
A verdade sempre esteve aí.
E sempre foi você.

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