Você se sente estranho ao conviver com a nova geração?
Já percebeu como os hábitos e valores dos jovens são muito diferentes dos das gerações passadas? Parece que seus compromissos e prioridades não se conectam com a realidade como a conhecíamos. Confesso que, às vezes, me choca e até me causa certo receio pensar na sociedade sob a perspectiva da geração atual, especialmente de muitos jovens da Geração Z.
Vivemos em uma era de hiperconectividade constante. Boa parte das pessoas parece incapaz de se afastar das telas dos smartphones, o que pode comprometer a qualidade das interações presenciais. Vejo isso em encontros de família, reuniões de negócios e até em momentos que deveriam ser de descanso. Parece que estamos perdendo o senso do presente, a capacidade de sentir o tato, perceber o ambiente ao redor e simplesmente contemplar a vida.
Já fui advertido por familiares por não responder mensagens com rapidez. Na verdade, tenho o hábito de não manter o celular sempre por perto. Para mim, isso não faz sentido. Cheguei até aqui, estudei, construí um patrimônio, criei muitos filhos — e fiz tudo isso sem depender desse aparelho.
A tecnologia trouxe inúmeras facilidades, mas também desafios. Talvez o maior deles seja o equilíbrio entre o digital e o real. Experimente se afastar das telas por algumas horas por dia e observe os efeitos no seu bem-estar e na sua saúde mental. Talvez descubra um mundo que tem muito a oferecer além das notificações.
O retorno ao tangível e ao simbólico
Recentemente, li um texto sobre a valorização do tato e dos objetos simbólicos em resposta à digitalização excessiva, além da inclusão neurodivergente como uma demanda crescente no design de espaços e experiências.
No que diz respeito aos prazeres táteis e simbólicos, há um movimento de contracorrente à digitalização, no qual muitas pessoas buscam experiências físicas e simbólicas por meio do tato e da posse de pequenos objetos. Marcas de luxo já captaram essa necessidade e passaram a oferecer produtos como mini berloques e patches, permitindo uma forma de expressão pessoal acessível, mas ainda carregada de exclusividade.
Há também um forte fator nostálgico, especialmente entre os jovens, que veem nesses itens colecionáveis uma maneira de materializar experiências e memórias. Esse fenômeno reflete um desejo de materialidade em um mundo onde os bens intangíveis — como músicas, fotos, livros e até artigos de luxo digitalizados — dominam.
Essa tendência ressalta um desejo individualista e estético, e as empresas que compreendem essas mudanças estão criando produtos e experiências mais alinhados com o sentir e o viver das novas gerações.
A importância da inclusão neurodivergente
Além da busca por experiências táteis, outro fator que vem ganhando espaço no design de produtos e ambientes é a inclusão de pessoas neurodivergentes — aquelas cujos padrões de pensamento e percepção diferem da maioria, como indivíduos com TDAH, autismo e outras condições neurológicas.
Com maior conscientização sobre a diversidade mental, muitos espaços estão sendo repensados para garantir um ambiente mais acolhedor. Por exemplo, lojas, eventos e até estádios já implementam salas sensoriais e áreas de resfriamento, oferecendo refúgios para quem sente sobrecarga com estímulos excessivos. Esse movimento reforça a necessidade de criar um mundo que respeite diferentes formas de interação e percepção.
A sociedade entre o digital e o tangível
Vivemos um momento paradoxal. De um lado, a digitalização avança, tornando tudo mais rápido, acessível e interconectado. Do outro, cresce a necessidade de resgatar a presença, o toque, a experiência sensorial e o significado nas pequenas coisas.
A geração atual parece estar presa a um mundo virtual que exige respostas imediatas, enquanto o real — feito de momentos, sensações e encontros — se dissolve no ritmo acelerado das notificações. Mas será que essa conexão ininterrupta nos torna mais presentes ou mais ausentes?
O resgate dos prazeres táteis e simbólicos pode ser um sinal de que, apesar de toda a tecnologia, o ser humano ainda anseia por vínculos reais, memórias tangíveis e experiências autênticas. No fundo, talvez a verdadeira revolução não esteja na próxima inovação digital, mas na nossa capacidade de desconectar para reconectar consigo mesmo, com os outros e com o mundo ao redor.

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