A vida nos convida constantemente à ação. Ter ânimo e disposição para agir — ser proativo — não é apenas uma questão de força de vontade, mas algo enraizado em nossa psique. Freud apontava que a apatia, muitas vezes prenúncio da depressão, é um sintoma de algo que aflige a alma. Embora reconheça fatores químicos e físicos, como deficiências vitamínicas ou desequilíbrios hormonais, acredito que as causas do desânimo vão além da biologia. Elas mergulham no campo do espírito.

Sim, o espírito. Pense na existência — na sua e na de tudo ao redor. Do ponto de vista da física, nada está isolado. Tudo se entrelaça em uma teia de conexões invisíveis. O ânimo de agir não se limita ao que sentimos com os cinco sentidos; ele está profundamente ligado às escolhas que fazemos, muitas vezes sem perceber. Nossos pensamentos e decisões filtram a realidade para nós. E a mente, como diria Jung, reflete algo maior, um princípio que ele chamou de Self — o centro profundo de nossa psique, onde habitam nossos potenciais mais autênticos.

Quando nos desconectamos desse centro, a apatia toma conta. A vida perde cor, se torna cinza e sem propósito. Curiosamente, percebo que quanto menos alguém reflete sobre a existência, mais facilmente se sente feliz. Mas essa felicidade superficial basta?

Com o tempo, aprendi a ver sentido em expressões populares que antes desprezava. A sofrência, por exemplo, não é apenas uma música sentimental. Para muitos, sentar em um bar e “afogar as mágoas” é uma forma de lidar com a dor da alma. É uma tentativa, mesmo rudimentar, de suportar a vida e buscar alívio. Mas será que isso resolve?

Carl Jung nos convida a ir além. Ele fala da necessidade de explorar o inconsciente, onde residem nossos arquétipos, símbolos e a chamada Sombra — aquela parte de nós que reprimimos ou negamos. Quando ignoramos esse processo de individuação, nossa alma se inquieta. A apatia, nesse contexto, é um grito silencioso, um sintoma de que estamos negligenciando nosso propósito mais profundo.

Enquanto Freud nos ensina a compreender os traumas e os conflitos que nos paralisam, Jung nos lembra que a cura não está apenas no passado, mas também na construção de um futuro significativo. Para ele, espiritualidade não era fuga da realidade, mas uma ponte entre o consciente e o inconsciente, o material e o transcendente.

Voltando ao exemplo do boteco e da sofrência, talvez essas expressões culturais sejam tentativas inconscientes de preencher o vazio da alma. Quem canta suas mágoas, ri ou chora diante de um copo de cerveja pode estar, mesmo sem perceber, buscando se reconectar com algo maior dentro de si. Mas há caminhos mais profundos para essa busca.

Jung nos desafia a olhar para dentro, a enfrentar nossas sombras, a decifrar os símbolos que surgem em nossos sonhos e intuições. A verdadeira paixão pela vida nasce quando nos alinhamos ao Self, quando equilibramos quem somos e quem podemos ser.

Se a vida é como o sol no horizonte, iluminando a estrada que percorremos, então o vento que nos move é essa busca interior. E, quando abrimos o coração — não apenas para o mundo, mas para nós mesmos — encontramos não apenas uma paixão momentânea, mas um propósito que ressoa com a totalidade do nosso ser.

Como diria Jung, “Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta.”

E você, está pronto para despertar?

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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