Você já parou para pensar no preço que pagamos pelo desenvolvimento? Na verdade, te faço um convite: vamos refletir sobre isso. Se você perguntar para 10 pessoas que conhece, vai perceber que a maioria concorda – o progresso nos trouxe comodidade e melhorou nossas vidas, mas raramente se fala sobre o preço que pagamos por isso!
- Até que ponto o progresso nos libertou, e até que ponto nos aprisionou?
- O que sacrificamos em troca do conforto e da tecnologia?
- Ainda somos capazes de ouvir o chamado da nossa essência?
Imagine viver em um mundo onde tudo o que você precisa está ao seu alcance, mas, ao mesmo tempo, sente-se vazio. Agora, compare isso com um povo que nada tem da modernidade, mas vive plenamente conectado à essência da vida. Foi esse contraste que me impactou ao assistir Vale dos Deuses, de Lech Majewski.
A Ilusão do Controle e o Esquecimento das Origens
Nos orgulhamos do que conquistamos enquanto civilização: cidades colossais, inteligência artificial, medicina avançada. Mas, em meio a tudo isso, perdemos algo essencial. Nos afastamos da natureza, da nossa conexão com a Terra, da simplicidade que nos permitia sentir e estar presentes no momento. Wes Tauros, o bilionário protagonista do filme, é o arquétipo do ser humano moderno: poderoso, mas desprovido de sentido. Seu império é vasto, mas seu espírito está à deriva.
Tecnologia e Espiritualidade: Irmãs ou Inimigas?
Nosso engenho nos deu conforto e conhecimento, mas será que nos desconectou da espiritualidade? Isso significa que devemos rejeitar o progresso? Não. Mas talvez precisemos aprender a equilibrá-lo com nossa essência. O povo Navajo no filme representa esse equilíbrio – vivem em um mundo onde a natureza ainda fala e a alma ainda ouve.
O Desvio das Religiões: Quando a Religião se Perdeu?
Curiosamente, até as religiões, que originalmente buscavam reconectar o ser humano ao divino, também se afastaram desse propósito. O próprio termo religião vem do latim religare, que significa “religar”, “unir novamente” – mas hoje, muitas tradições espirituais se tornaram apenas estruturas de poder, presas a dogmas e rituais vazios. Elas deveriam ser pontes para o sagrado, mas em muitos casos, tornaram-se apenas instituições humanas, distantes do verdadeiro espírito de conexão com o transcendental.
O Caminho de Volta para Casa
O filme nos convida a olhar para dentro. Ainda há tempo para resgatar essa conexão? Podemos encontrar um caminho onde a tecnologia e a espiritualidade coexistam? E mais do que isso: podemos reencontrar o verdadeiro sentido do sagrado, sem intermediários que o distorcem?
Talvez a resposta esteja no autoconhecimento. A jornada de volta ao essencial não acontece pelo acúmulo de riquezas ou pelo domínio do mundo externo, mas pelo reencontro com aquilo que sempre esteve dentro de nós.
Assim como na metáfora bíblica do filho pródigo, que sai pelo mundo em busca de conquistas e prazeres, mas depois percebe que sua verdadeira casa sempre foi a do Pai, nós também podemos estar vagando sem perceber que a verdadeira riqueza está na simplicidade do ser. O que nos falta não está no futuro, mas no retorno à nossa própria essência.
O retorno à nossa essência não exige que abandonemos o progresso, mas sim que aprendamos a ouvir novamente a voz interior. Talvez esteja na prática da contemplação, no silêncio, na simplicidade de um momento presente. O primeiro passo é perguntar-se: ainda sou capaz de ouvir o chamado da minha própria alma?
Que tal reservar um momento do seu dia para o silêncio, para ouvir o que sua alma tem a dizer? Talvez a resposta que você procura já esteja dentro de você.

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