A Arte de Amadurecer

Dizem que a terceira idade é a fase da constatação da vida. Durante muito tempo, podíamos fantasiar, mas agora, mais adiante, a realidade bate à nossa porta. Pode parecer, a princípio, um visitante incômodo; contudo, ele veio para ficar e deve permanecer até o final.

Esse é o momento de nos perguntarmos: estamos prontos para lidar com a vida como ela realmente é? Entre a vida adulta e o final da existência, há uma derradeira oportunidade para a autorrealização. Mas isso não significa que todas as pessoas na terceira idade sejam, de fato, maduras. O que vemos no dia a dia é um exército de barbas e cabelos grisalhos agindo como crianças, presas a comportamentos impulsivos e à falta de reflexão.

Nesta reflexão, convido você a observar seu próprio comportamento. Não importa se você ainda não chegou aos “enta” — cinquenta, sessenta ou setenta anos. Todos fomos crianças um dia e fantasiamos sobre o mundo ao nosso redor. Mas, à medida que o tempo passa, a maturidade deveria ser uma conquista natural. E o que significa, afinal, maturidade? Trata-se de muitas coisas, mas, acima de tudo, de aprender a lidar com os desafios que a vida nos apresenta com sabedoria.

Ser uma pessoa madura é saber utilizar a sua “caixa de ferramentas” emocional e intelectual para resolver os problemas inevitáveis da existência. Imagine, por exemplo, um mal-entendido: alguém próximo faz um comentário com a intenção de alertá-lo ou sugerir que você talvez esteja equivocado. O que faz o imaturo? Se zanga, fecha a cara, se magoa. E o maduro? Ele pratica a empatia, tenta compreender o motivo por trás das palavras ou ações do outro e, em vez de reagir impulsivamente, age com serenidade.

A vida nos presenteia com desafios que não são castigos, mas oportunidades de aprendizado. Em vez de nos magoarmos com o que foi dito, devemos buscar entender as circunstâncias daquele momento. Muitas vezes, palavras ou gestos são mal compreendidos. E, quando isso acontece, o imaturo se fecha em mágoas, enquanto o maduro transforma o incidente em um momento de reflexão e crescimento.

Superar os contratempos da vida exige foco na autocompreensão. Não é preciso recorrer a doutrinas ou regras externas para reconhecer a importância de evoluir moralmente e praticar a empatia. Devemos fazer isso porque somos seres humanos em constante evolução. É simples assim. É da natureza do espírito humano crescer e aprender.

Portanto, fique atento às suas atitudes e reações. Da próxima vez que se sentir ofendido, pare. Respire fundo, conte até dez e pergunte-se: será que não interpretei mal a situação? Será que não estou criando um problema onde não existe? Muitas vezes, você descobrirá que a situação era menos grave do que parecia — e isso pode até arrancar de você uma boa risada. Porque, no final das contas, maturidade não é apenas saber lidar com os desafios, mas também saber rir das pequenas confusões da vida.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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