Somos, em grande medida, uma consciência que transcende o mundo material e físico. Essa transcendência se manifesta em momentos de criação artística, quando desenvolvemos ideias que transformam a sociedade ou em experiências de conexão espiritual profunda. Ela nos permite buscar significados que vão além do palpável, como compreender nossa existência ou contribuir para o bem-estar coletivo.

Pense, por exemplo, na sensação de contemplar a beleza da natureza: o som de uma cachoeira, o fluxo de um rio, a textura das folhas em uma floresta. Do ponto de vista prático, essas experiências não têm uma função direta para nossa sobrevivência. No entanto, elas despertam uma sensação de bem-estar e conexão espiritual, revelando que somos mais do que meros corpos físicos – somos consciências capazes de transcender o imediato.

Apesar disso, muitos de nós permanecem presos a instintos primitivos, reféns das demandas do corpo e da ilusão de que o mundo material é a totalidade de nossa existência. Essa dualidade entre transcendência e materialismo é evidente nas insanidades que testemunhamos: guerras, ganância, violência. Esses comportamentos, frutos do ego – a parte de nós que busca constantemente poder, controle e posse –, são um reflexo de nossa desconexão com o espírito.

Reflita um pouco… Por que somos tão reativos? Quando sentimos que nossa identidade ou segurança está ameaçada, frequentemente reagimos de forma possessiva ou autoritária. Isso acontece porque o ego, em seu desejo de se proteger, ativa mecanismos de defesa. Ele tenta controlar o que percebe como externo para preservar sua noção de “eu”.

O orgulho e o egoísmo, tão enraizados em nossa sociedade, derivam desse apego ao material – da ilusão de que possuímos algo ou alguém. Como disseram os sábios desde a antiguidade: “O homem é as suas convicções.” Mas, ao nos tornarmos prisioneiros dessas convicções, limitamos nossa capacidade de transcender e evoluir.

A Questão do Altruísmo

Uma questão que ecoa desde os primórdios da humanidade é: “O que somos?”. Reduzir o ser humano a um simples organismo biológico dotado de raciocínio seria ignorar a complexidade de nossas ações, emoções e intenções.

Pense, por exemplo, em um ato espontâneo de bondade – como ajudar um desconhecido em necessidade, sem expectativa de recompensa. Esse altruísmo parece contradizer nosso instinto de sobrevivência e nossa inclinação egoísta. Mas o que nos move nesses momentos?

Muitos atribuem esse fenômeno à influência divina, enquanto outros sugerem que ele possa estar relacionado ao inconsciente – aquilo que Jung descreveu como o inconsciente coletivo, uma dimensão compartilhada da psique humana. E se esses atos altruístas forem evidências de uma capacidade inata de transcendência, uma conexão com algo maior do que o “eu”?

A psicologia contemporânea oferece pistas fascinantes. Pesquisas mostram que atos altruístas ativam áreas do cérebro associadas ao prazer e à recompensa, como o sistema de dopamina. Esses estudos sugerem que o altruísmo, longe de ser uma anomalia, pode estar biologicamente programado em nós como uma forma de reforçar laços sociais e a cooperação. Essa programação pode ser vista como um reflexo da transcendência operando através de nossa biologia.

A Transcendência Perdida

Relatos históricos, como os de profetas na tradição judaico-cristã ou os oráculos da Grécia Antiga, descrevem indivíduos capazes de acessar dimensões mais profundas da existência. Eles previam o futuro, guiavam líderes e conectavam comunidades a algo maior.

Mas por que essa capacidade parece ter desaparecido? Talvez ela não tenha sido perdida, mas negligenciada. Em nossa sociedade moderna, obcecada por tecnologia e materialismo, nossa conexão com essas dimensões transcendentes pode ter se enfraquecido.

A intuição é um exemplo de como a transcendência pode persistir em formas mais sutis. Estudos de neurociência mostram que o cérebro processa informações inconscientes em velocidades surpreendentes, influenciando nossas decisões antes mesmo de estarmos conscientes delas. Essa habilidade pode ser vista como um resquício das capacidades proféticas que nossos antepassados valorizavam.

Portanto, talvez a transcendência não esteja perdida, mas apenas adormecida, esperando ser redescoberta por aqueles que buscam reconectar-se com sua essência.

A Conexão com o Universo

Talvez a transcendência seja uma das faculdades mais extraordinárias do ser humano – um protocolo intrínseco que nos conecta ao universo. Pense em momentos em que você se sentiu completamente imerso em algo maior: ao contemplar uma obra de arte, admirar o céu estrelado ou experimentar uma conexão profunda com outra pessoa. Esses instantes nos lembram que somos mais do que corpos físicos; somos consciências em evolução.

Para acessar essa conexão, práticas simples e acessíveis podem ser incorporadas à vida cotidiana:

  • Meditação: Reserve alguns minutos por dia para silenciar a mente e observar seus pensamentos sem julgamento.
  • Contemplação da natureza: Passe algum tempo ao ar livre, observando os detalhes ao seu redor, como o som das folhas ao vento ou o brilho da luz do sol.
  • Expressão criativa: Desenhar, escrever ou criar música pode abrir portas para nossa transcendência.
  • Relacionamentos significativos: Cultivar conexões autênticas com outras pessoas nos lembra de que não estamos sozinhos.

A transcendência não é apenas uma ideia filosófica ou espiritual; é uma experiência prática, que nos permite ir além do ego, encontrar significado em nossa existência e compreender que fazemos parte de algo infinitamente maior.

Por fim, a transcendência é a chave que nos permite redescobrir nosso propósito e nossa essência. Ela não é algo reservado para poucos, mas uma capacidade humana universal, acessível a todos que se dispõem a buscar.

“A transcendência não é apenas uma habilidade a ser buscada; é a essência que nos conecta uns aos outros e ao universo. Reconhecê-la e vivê-la nos torna verdadeiramente humanos.”

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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