Por que vivemos inconformados com nossa realidade?

Atire a primeira pedra quem nunca se sentiu inconformado com a própria realidade. Pense um pouco… Você já teve a sensação de que aquilo que é ou conquistou não corresponde ao que realmente desejava? Parece haver um vazio, um descompasso entre nossos desejos mais profundos e o resultado de nossas realizações.

Hoje, convido você a refletir: por que sentimos esse vazio, mesmo quando, teoricamente, alcançamos o que tanto almejávamos?

A realidade é criada por nossa subjetividade

O mundo que vivenciamos depende inteiramente de como o concebemos. Em outras palavras, a realidade que enxergamos e afirmamos existir é, na verdade, uma construção da nossa mente. Parece estranho? Pense assim: duas pessoas podem viver o mesmo evento e interpretá-lo de maneiras completamente diferentes, pois a percepção de cada uma será moldada por suas experiências, crenças e emoções.

Nossa subjetividade – ou seja, a forma única como percebemos o mundo – define o que é real para nós. Mas se a realidade é tão personalizada, por que frequentemente nos sentimos desconectados dela?

O conflito entre espírito, alma e ego

Para responder a essa questão, é útil olhar para as dimensões da natureza humana. Podemos entender o ser humano como composto de três partes:

  • Espírito: A essência que nos conecta à energia universal, àquilo que dá significado à nossa existência.
  • Alma: A dimensão emocional e simbólica, onde residem nossos sentimentos e nossa psique profunda.
  • Ego: A consciência que temos de nós mesmos, responsável por gerenciar nossas escolhas e interações no mundo material.

Cada uma dessas dimensões cumpre um papel diferente, mas muitas vezes estão desalinhadas. O ego, por exemplo, tem um poder limitado: ele gerencia a mente e as decisões conscientes, mas sua influência sobre a alma e o espírito é pequena, especialmente quando operamos em um nível superficial de autoconhecimento.

Imagine que o espírito nos impulsiona com propósitos profundos, enquanto o ego, mais focado no mundo externo, busca atender desejos imediatos. Quando essas forças entram em conflito, surge a sensação de vazio. Não é que falte algo no mundo externo – o problema está na desconexão interna entre essas dimensões.

Jung e o caminho da integração

Carl Gustav Jung, um dos maiores estudiosos da psique humana, chamou essa jornada de reconexão de processo de individuação. Esse processo nos permite integrar todas as dimensões do nosso ser – espírito, alma e ego –, levando-nos ao estado de Self, a melhor versão de nós mesmos.

Jung dedicou grande parte de sua vida a entender o que ele chamava de “loucuras da alma” e descobriu que o desequilíbrio entre essas partes era muitas vezes a causa de sofrimento. Por exemplo, ele observou que indivíduos com uma percepção diferente da realidade (como aqueles que “ouvem vozes” ou “veem coisas”) estavam profundamente imersos em conflitos internos, onde o ego não conseguia compreender ou integrar as mensagens do inconsciente.

O processo de individuação, segundo Jung, não é simples. Ele exige que enfrentemos nossas sombras (as partes de nós mesmos que preferimos ignorar) e busquemos um alinhamento verdadeiro com nossa essência.

Como começar?

Reconectar-se consigo mesmo pode parecer um desafio abstrato, mas não precisa ser. Aqui estão alguns passos práticos que podem ajudar:

  1. Pratique a auto-observação: Dedique alguns minutos por dia para refletir sobre seus pensamentos, emoções e comportamentos. Pergunte-se: “Isso realmente reflete quem eu sou?”
  2. Busque momentos de silêncio: Reserve tempo para se desconectar das distrações externas e ouvir sua intuição. A meditação ou uma caminhada na natureza podem ser grandes aliadas.
  3. Identifique seus valores: O que realmente importa para você? Diferencie os desejos do ego (geralmente influenciados pelo mundo externo) dos anseios do espírito (aquilo que dá sentido à vida).
  4. Aceite sua jornada: Entenda que o inconformismo não é um erro, mas um convite à transformação.

Reflexão final

O vazio que sentimos muitas vezes não é causado por algo que falta fora de nós, mas pelo distanciamento entre nossas dimensões internas. Alinhar o espírito, a alma e o ego é um processo que leva tempo, mas é também a chave para nos tornarmos completos.

E você, está disposto a dar o primeiro passo nessa jornada?

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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