Pense um pouco no sentido da vida. E se tudo o que aprendemos sobre ela não for toda a verdade? E se a ideia de que o Criador de tudo o que existe neste mundo não for tão altruísta como nos ensinaram?
E se tudo o que fazemos, incluindo o que nos afeta negativamente — como as angústias, dores e tristezas —, tiver uma razão de ser para seres de outros mundos? Em outras palavras, e se a experiência humana tiver um propósito que não seja voltado exclusivamente para ela mesma?
Em termos simples: e se nós, enquanto humanos, fôssemos parte de um plano maior, com objetivos que ainda não compreendemos totalmente?
Pode parecer teoria da conspiração, mas não é disso que se trata. Esta reflexão surgiu a partir da observação de alguém muito especial: meu pequeno Jr. Ele é um dos meus sete filhos, e embora eu ame todos igualmente, Jr. ocupa um lugar único em minha jornada de aprendizado e amor.
A Inspiração em Jr.
Jr. é um ser incrível, cuja genética traz a trissomia no cromossomo 21. Na verdade, ocorre no T22, mas convencionou-se chamar as pessoas com essa condição de T21, ou simplesmente “Downs”. Observá-lo diariamente e acompanhar suas lutas e conquistas me fez repensar o propósito da existência e o que realmente significa viver.
Seus desafios me levam a refletir sobre as limitações humanas e o quanto podemos aprender com elas. Ele, com seu pequeno corpo e movimentos ainda sem coordenação plena, tenta realizar ações que para outros podem parecer simples, mas que, para ele, exigem um esforço imenso.
A Luta pela Autonomia
Ao observar Jr., noto como ele se frustra quando não consegue fazer algo que, claramente, deseja muito. Além disso, pelo fato de ele ainda não falar, comunicar suas necessidades torna-se mais desafiador. Apesar disso, sua determinação é inspiradora.
Por exemplo, ele luta para girar o corpo e atravessar um espaço estreito onde não consegue passar de frente ou tenta descer uma escada no escorregador com mais agilidade. O esforço que ele faz é evidente, mas suas dificuldades motoras tornam tudo mais complicado.
Como pai, tento encontrar o equilíbrio entre ajudá-lo e deixá-lo conquistar suas próprias vitórias. Percebo que essas pequenas conquistas são fundamentais para seu desenvolvimento, sua autoestima e sua felicidade.
A Singularidade de Ser
Indivíduos com essa condição genética não são resultado de falhas ou erros — eles simplesmente nascem assim, com uma essência única e especial. Essa realidade me faz refletir sobre o papel que cada um de nós desempenha no mundo e sobre os mistérios da existência humana.
Enquanto sociedade, muitas vezes medimos as pessoas por padrões que desconsideram o valor intrínseco de cada indivíduo. Jr., com suas características e limitações, me ensina todos os dias que a verdadeira grandeza está em encontrar alegria e propósito em meio aos desafios.
Por fim, ao observar meu filho e suas lutas, não consigo deixar de me questionar sobre os propósitos maiores da vida. Talvez estejamos aqui para aprender não apenas com nossas conquistas, mas também com nossas limitações. Talvez nossa existência não seja apenas sobre nós mesmos, mas parte de algo muito maior, algo que ainda não conseguimos compreender plenamente.
Seja qual for o significado do que vivemos, acredito que o importante é enxergar a beleza na jornada, nas pequenas vitórias e no amor que podemos compartilhar. É nesse amor e nessa busca que encontramos sentido em meio aos mistérios que nos cercam.

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