Penso que o ponto de partida nessa jornada seja a percepção dessa parte inseparável do corpo chamada espírito ou alma vivente. Essa essência, que transcende o físico, possui características fundamentais como a imaterialidade e a atemporalidade. Ela não é limitada pelo tempo ou espaço, mas se manifesta em nossa vitalidade, nas emoções e nos momentos de profunda conexão com algo maior. Reconhecer essa dimensão é abrir-se para uma compreensão mais ampla de si mesmo, onde corpo e espírito coexistem em harmonia, cada um refletindo e sustentando o outro em um fluxo constante de vida.
Pense um pouco: de onde vem esse potencial que nos anima? Acredito que vai muito além do que é físico ou orgânico. Existe algo em nós que transcende o corpo, uma energia pura que nos conecta ao todo. Isso pode ser percebido em níveis atômicos, sentido nas emoções e descrito, de maneira subjetiva, como nosso “estado de espírito”. Essa força vital é o motor que nos impulsiona, mesmo em momentos de adversidade, renovando-nos e abrindo portas para novas possibilidades.
Essa reflexão veio à tona enquanto atravesso mudanças importantes. Recentemente, decidi deixar o cigarro, o café e o álcool. Sempre ouvi falar dos efeitos colaterais da abstinência, mas, no meu caso, não sinto nada que me incomode profundamente. O que percebo, no entanto, é uma maior sensibilidade a determinados sons e, talvez, uma irritabilidade momentânea. Isso me fez pensar sobre como essas substâncias podem influenciar nossos sentidos e, ao mesmo tempo, como o espírito permanece presente, sustentando nossa vitalidade além dessas influências externas.
Algo que faço naturalmente e considero uma constante na minha rotina diária é a autoanálise. Em 2025, percebo que, possivelmente, estou vivendo um ano sabático. Por que penso assim? Olhando para trás, já se passaram seis anos desde que comecei minha jornada de autoconhecimento e, neste mês, inicio o sétimo ano. Nesse caminho, tenho cultivado o hábito de prestar atenção aos insights que surgem no dia a dia e refletir profundamente sobre cada um deles.
Confesso que, às vezes, demoro dias para concluir um texto, enquanto, em outras ocasiões, consigo finalizá-lo em poucos minutos. No entanto, uma coisa é constante: meus textos sempre refletem o momento presente, o “agora”. Essa conexão com o presente me lembra que a espiritualidade, para mim, está na vivência consciente e no reconhecimento daquilo que nos move internamente.
Nesta nova fase de reflexão, sinto um chamado para explorar os aspectos mais profundos e espirituais da existência. Como psicanalista e amante da psicologia analítica, já escrevi muitos textos com esse viés, mas agora quero ir além. Preciso, como dizem, “descer mais na toca do coelho”. Desejo mergulhar no espírito humano, pois ele é o motor propulsor da vontade, a força que nos move e nos guia em direção à transformação.
Ainda assim, não me limito a um viés religioso específico. A espiritualidade, para mim, é um campo vasto, onde diferentes fontes podem oferecer insights complementares. Na busca pelo conhecimento, é comum encontrar conceitos divergentes, mas, se mantivermos a mente aberta, essas diferenças não geram confusão — elas enriquecem. Como costuma dizer minha companheira Deise: “A verdade não é absoluta!”
Afinal, a jornada do autoconhecimento e da espiritualidade é um convite a explorar, questionar e descobrir o que nos conecta à essência de ser humano. Convido você a olhar para dentro, reconhecer a força que o move e descobrir o infinito de possibilidades que habita em seu ser.

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