Pense na paixão humana. Já parou para refletir sobre o que realmente move sua vida? Certa vez, ouvi uma frase que ficou comigo: ‘Podemos mudar quase tudo em nossas vidas – o nome, a casa, o relacionamento, o trabalho, até mesmo a religião. Mas algo que não mudamos é a paixão que nutrimos por algo ou por alguém.’
Essa reflexão nos leva a um ponto profundo sobre quem somos. Paixões não são apenas gostos ou interesses passageiros; elas são forças internas que moldam nossas escolhas e dão direção à nossa existência. São como uma bússola que nos guia, mesmo quando tudo ao nosso redor muda.
Agora, pense: qual é a sua grande paixão? Aquela atividade ou ideia que faz você se sentir pleno, como se o tempo parasse?
Eu sempre tive uma. Desde garoto, nutro uma paixão que atravessou minha vida até hoje: a escrita e o desejo incessante de aprender. Não importa o que eu estivesse fazendo – programar computadores, pilotar aviões, advogar, gerenciar empresas ou atuar como psicanalista – essa paixão sempre esteve presente. Aprender algo novo todos os dias é o que me faz sentir vivo.
Do ponto de vista psicológico, a paixão está profundamente enraizada em nossa psique. Na visão de Jung, ela é uma manifestação da energia psíquica – uma força vital que nos impulsiona a buscar significado. Por isso, mesmo quando as circunstâncias externas mudam, certos desejos, sonhos e motivações continuam vivos dentro de nós.
A paixão também se conecta a algo maior, aquilo que Jung chamou de arquétipos. Por exemplo, uma pessoa apaixonada pela justiça pode estar alinhada ao arquétipo do Herói, que luta por um ideal maior. Esses arquétipos refletem quem somos em essência e o que viemos realizar neste mundo.
Sob uma perspectiva prática, a paixão é o que dá propósito e cor à vida. Ela nos motiva, inspira e nos ajuda a superar desafios. Não é algo que escolhemos conscientemente, mas algo que pulsa em nossa essência, guiando nossas ações.
Mas aqui está o ponto: paixões não são imutáveis. Elas podem mudar de forma ou direção à medida que crescemos e nos conhecemos melhor. O autoconhecimento nos permite perceber quando estamos alimentando paixões que nos fortalecem ou quando estamos presos a algo que já não faz sentido. Ele nos dá a liberdade de redirecionar nossa energia para o que realmente importa.
Entender nossas paixões não é apenas uma questão de curiosidade, mas de liberdade. Quando nos conhecemos profundamente, fazemos escolhas mais conscientes, alinhadas com o que somos em essência.
Por fim, a paixão humana é um convite para olhar para dentro. Aceitar esse convite exige coragem, mas também traz uma recompensa inestimável: a descoberta de que a verdadeira transformação não está em mudar o mundo ao nosso redor, mas em mudar a forma como nos conectamos com nós mesmos. Quando fazemos isso, encontramos não apenas propósito, mas também liberdade.

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