Fé, Questionamento e Autoconhecimento

Resisti por muito tempo à ideia de que a religião seja um caminho para a evolução do indivíduo. Admito que, em diversas ocasiões, fui grosseiro e hostil à proposta da crença como forma de elevação do espírito humano. Agora, mais tranquilo — talvez até sereno —, tenho a convicção de que não estava errado.

Para mim, ao menos, qualquer que seja o “ismo” não pode me auxiliar na jornada de evolução. Entretanto, cada pessoa é única. Isto é, existem diferentes níveis de evolução a serem considerados.

Gosto de uma parábola bíblica que diz: “os fracos comam legumes.” Por isso, compreendo que não devo hostilizar quem é religioso. Talvez seja mais sensato pensar com empatia e respeitar os inúmeros graus de entendimento.

Um fato curioso é que, quando comecei a me distanciar das doutrinas das religiões, em minhas orações diuturnas, eu pedia a “Deus” que me permitisse adquirir o entendimento. Isso era constante em minhas súplicas. Então, num belo dia, senti como se uma voz interior me dissesse: “Você nem sabe orar.” Julgo que foi uma tragédia existencial. Vi-me contestado pela minha própria crença. Ora, se eu pedir ao Criador, Ele tudo fará — ou pelo menos foi assim que a doutrina me ensinou.

Tempos depois desse episódio, dediquei-me ao estudo da espiritualidade. Aprendi que talvez eu não seja exatamente um ser de interesse do Criador ou algo semelhante. Penso que sou apenas um ser humano que busca autocompreensão. Fiz o que ainda faço: questionar. Sei que a verdade depende muito do nível de discernimento de cada um.

Lembro-me de que minha primeira empreitada foi numa escola iniciática espiritualista. Depois de galgar os níveis básicos de sua estrutura, percebi que não havia avançado além de onde estava quando era religioso. O que aprendi ali foram novas nomenclaturas para velhos conceitos.

No período da pandemia, mergulhei nos estudos do kardecismo. Foram quase três anos dedicados aos seus fundamentos. Novamente, me encontrei diante de um vazio. Em determinado momento, percebi que estudava uma versão moderna do cristianismo. Contudo, reconheço que tudo o que estudei foi de grande importância para compreender o pensamento sobre a evolução do espírito.

Hoje, completamente afastado das religiões, sinto-me mais responsável e, talvez, resoluto em relação às questões que antes me atormentavam: céu, inferno e pecado. Contudo, não me julgo conhecedor dos mistérios da existência. Mas, de uma coisa tenho certeza: a cada dia desenvolvo uma melhor compreensão do que significa ser humano.

Ademais, penso que meu entendimento — adquirido tanto pela intelectualidade quanto pelo aprofundamento em mim mesmo — conduz meu espírito a uma maior conexão com o universo. Por fim, percebo em minha psique um esvaziamento do ego consciente e sinto que algo em mim vai se expandindo para além da visão limitada que tinha do homem que fui ontem.

Aprendi mais nos últimos sete anos, na jornada do autoconhecimento, do que em todos os cinquenta e três anteriores. Sei também que a jornada não termina aqui, nesta existência; ela é uma oportunidade de crescer e evoluir na direção do todo. Não desprezo a fé. Hoje entendo que ela nos permite dar um passo no escuro, enchendo nossa alma de esperança. Reconheço que ela teve um papel importante como propulsora na jornada do autoconhecimento.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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