Apenas existir não deve ser o propósito do ser humano. Pense um pouco. Vamos começar analisando a espécie à qual pertencemos: o Homo sapiens, um mamífero. Esse simples fato já é argumento suficiente para sustentarmos que a espécie humana não surgiu sozinha no mundo. Também podemos considerar que não nos desenvolvemos de maneira autônoma, pelo menos até atingirmos a vida adulta.
Além disso, os principais estudos em psicologia afirmam que somos seres sociais. Isso significa que a interação entre indivíduos é fundamental para que possamos realizar nossa missão na Terra, seja ela qual for.
Se olharmos para a história, especialmente no que diz respeito à evolução da sociedade, é inegável que nossa espécie evoluiu. Contudo, ainda há muito a ser feito.
Acredito que a qualidade da nossa interação com os outros seja um fator essencial para o próximo passo evolutivo. Sabemos que a cooperação entre indivíduos está no cerne das relações humanas e que, sem ela, não poderíamos construir nem sustentar a vida em comunidade.
Minha motivação para essa reflexão surge das circunstâncias que vivi na véspera do Natal. Durante vários dias, ouvi muitas pessoas repetirem a mesma frase: “Sinto muito, me desculpe.” Isso chamou minha atenção. Por que tantas pessoas se desculpam com tanta frequência? Será que essas palavras sempre refletem um sentimento genuíno?
A expressão “sinto muito”, em muitos casos, parece esvaziada de significado. Afinal, se alguém utiliza essas palavras repetidamente e continua cometendo os mesmos erros, como poderia haver arrependimento verdadeiro? É como se essa pessoa vivesse em um ciclo de desculpas automáticas, sem refletir ou mudar comportamentos.
Se quisermos evoluir no ano que se aproxima, precisamos alinhar nossas palavras aos nossos sentimentos. Uma comunicação autêntica exige introspecção e honestidade. Em vez de buscar apenas aliviar um conflito com pedidos de desculpa superficiais, devemos olhar para dentro de nós mesmos, identificar nossos erros e buscar perdoar a nós mesmos de forma genuína. Esse ato de perdão interno é o primeiro passo para desenvolver sentimentos verdadeiros e relações mais autênticas.
Gosto de pensar que “estar sobre suas verdades” é viver de forma coerente. Ser coerente é ter coragem de assumir nossas falhas, aprender com elas e agir de maneira ética, com caráter e humanidade. Apenas uma personalidade bem desenvolvida pode expressar sentimentos verdadeiros e, ao mesmo tempo, construir conexões significativas com os outros.
Que este próximo ano seja um convite para nos tornarmos mais conscientes de nossas palavras, mais alinhados com nossos sentimentos e mais responsáveis por nossas ações. Assim, contribuiremos, de fato, para a evolução que desejamos ver no mundo.

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