No curso natural da vida, é fundamental que nos tornemos cada vez mais autônomos. Esse processo de conquista da autonomia nos conduz à autossuficiência. Contudo, ao observar a geração atual, percebo que algo está fora da curva: os indivíduos parecem cada vez mais dependentes, especialmente da tecnologia.
Um exemplo claro é a conectividade, em particular o uso de redes sociais. Muitos se mostram excessivamente ligados a essas interações, e o fenômeno da busca por aprovação social é evidente. No Brasil, essa necessidade de validação tornou-se o principal norte de vida para muitas pessoas.
Isso me leva a refletir: será que estamos abandonando nossa individualidade? E, se for assim, estamos nos tornando apenas avatares do que deveria ser o ser humano?
Confesso que me sinto deslocado nesse ambiente coletivo. Desde cedo, aprendi que deveria conduzir minha vida sem depender de outras pessoas. Essa ideia pode soar desconfortável para muitos jovens dessa geração, mas sempre acreditei que a autossuficiência era essencial para o sucesso.
Percebi esse contraste de forma clara durante uma conversa com meu filho. Ele é jovem, inteligente e arquiteto, com uma visão moderna sobre a vida. Discutíamos os requisitos para construir uma vida estável. Expliquei a ele que, para construir patrimônio, é necessário trabalhar e empreender, muitas vezes abrindo mão do conforto momentâneo. Às vezes, precisamos literalmente pôr a mão na massa e não priorizar sempre o que é mais fácil ou confortável.
Para muitos da minha geração que alcançaram sucesso, as oportunidades foram aproveitadas com base em um princípio elementar: a autossuficiência. No meu caso, optei pela área de incorporação imobiliária, um segmento sólido e rentável. Durante a conversa, meu filho sugeriu buscar capital por meio de financiamentos, uma abordagem lógica e prática para ele.
No entanto, para mim, que nunca contei com apoio financeiro de terceiros, essa ideia não fazia sentido. Tive que ser criativo, correr riscos e confiar na minha capacidade de adaptação e esforço próprio. Busquei alternativas econômicas: fiz extensas pesquisas sem custo, li bastante e desenvolvi protótipos de negócios baseados no conceito de “faça você mesmo”.
Comecei meu negócio com pouco capital e mantive meus custos no mínimo. Claro que cometi erros ao longo do caminho, mas aprendi com cada um deles. Foi essa combinação de resiliência, aprendizado constante e autossuficiência que me permitiu alcançar o sucesso.
Mais do que isso, percebo que a verdadeira autonomia começa com o autoconhecimento. É ele que nos dá clareza sobre nossos objetivos, nos fortalece diante dos desafios e nos ajuda a reconhecer o que realmente importa. Quando nos conhecemos profundamente, conseguimos direcionar nossos esforços para projetos que refletem nosso propósito e têm maior chance de se concretizar.

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