Estou aqui para compartilhar uma experiência concreta. O que vou dizer não tem ligação com teorias, religiões ou crenças, mas sim com empirismo.
Primeiro, é importante esclarecer o que significa ser ouvido pelo universo. Pense no seguinte: se buscar em sua memória com atenção às nuances da experiência humana, provavelmente encontrará um momento decisivo em sua vida. Um instante singular em que, racionalmente, não havia mais nada a ser feito, e então você simplesmente acreditou — e o resultado foi melhor do que o esperado!
Acredito que todos nós temos vários desses momentos para contar, mas muitas vezes não lhes damos a devida importância. Geralmente, atribuímos esses sucessos à sorte. Isso me faz lembrar uma canção dos anos 80 que dizia: “A sorte tem quem acredita nela.”
Não importa o nome que você dê a esse intrincado emaranhado de eventos que te ajudaram a superar um desafio. O que realmente importa é que é possível aprender a se conectar com o universo e viver em uma frequência que te permita ser, de fato, cocriador da sua realidade.
Para contextualizar, compartilho um relato pessoal. Esse fenômeno de realização — que alguns chamam de milagre, outros de sorte ou algo além — só percebi conscientemente há cerca de 7 ou 8 anos. Durante esse período, enfrentei muitos desafios relacionados à liberdade, relacionamentos, finanças e questões existenciais. Era como se eu vivesse com a faca no pescoço ou no fundo do poço. Tudo o que eu tentava fazer enfrentava alguma adversidade que me obrigava a mudar de rota. Popularmente, diriam que eu estava em uma maré de azar.
Então, houve um dia que marcou o ponto de virada. Foi quando fui absolvido de um processo criminal. Enquanto comentava o fato com uma amiga de longa data, de repente, disse algo como: “Chega de erros na minha vida, cansei de perder.”
Embora já tivesse tentado inúmeras vezes reorganizar minha vida, recorrendo a orações, preces, meditação, mentalizações e outras práticas, nada parecia surtir efeito. Minha vida era uma sequência interminável de limitações, desencontros e insucessos.
Mas algo diferente aconteceu naquele momento. Era o estado do meu espírito durante aquela conversa que fez toda a diferença. Só mais tarde compreendi que, naquele instante, todo o meu ser estava presente. Eu estava absolutamente resoluto. Senti-me livre de desejos superficiais, como se minha mente tivesse se esvaziado completamente. Foi como me libertar de julgamentos, vaidades ou ambições egoístas. Estava plenamente resignado.
É difícil descrever o que senti. Às vezes penso que faltam palavras exatas. Era uma plenitude indescritível, como estar em uma câmara de vácuo. Nada existia ali além de uma presença silenciosa. Talvez tenha durado apenas alguns segundos. Minha mente estava vazia, exceto por uma única convicção: aquelas palavras que eu havia proferido.
Depois desse momento, tudo começou a se encaminhar da melhor maneira possível em minha vida. E isso aconteceu em todas as áreas. Não que os problemas tenham desaparecido, mas as soluções sempre surgiam, e eram as melhores possíveis.
Lembro-me de um caso marcante: meu filho recém-nascido precisava usar uma órtese craniana, mas eu não tinha dinheiro para comprá-la. Um dia, recebi várias chamadas insistentes de um número desconhecido. Na quinta ou sexta tentativa, atendi. Era o representante de uma empresa, com uma oferta substancial para utilizar uma pequena parcela de terra que eu havia tentado vender antes, sem sucesso, por 10% do valor que me foi oferecido.
E eventos como esse começaram a se repetir em várias áreas da minha vida. Por exemplo, quando eu sentia que não deveria fechar um negócio, no dia seguinte surgia uma proposta melhor. Ou então, quando planejei uma viagem de motorhome por três meses, mas um acidente a pouco mais de duas horas de casa nos obrigou a voltar. Esse retorno foi determinante: no mês seguinte, atuei em minha autodefesa e conquistei duas importantes absolvições. Se eu estivesse viajando, talvez não tivesse obtido o mesmo resultado.
Esses acontecimentos, com uma sincronicidade quase inacreditável, me ensinaram que o universo realmente ouve. Quando você está plenamente presente, resoluto e livre de expectativas egoístas, uma força maior parece guiar os fatos de sua vida de forma que tudo se encaixa, como se sempre estivesse destinado a ser assim.
Ao refletir sobre o universo, vasto, poderoso e ordenado, gosto de imaginar que somos uma versão em miniatura desse cosmos. Se o universo, em sua essência, destrói para criar e evolui em direção à ordem, talvez nós, como microcosmos, também possamos acessar esse poder em nossa jornada.
Por fim, te convido a refletir: “O caos nunca cria; ele evolui para a ordem.” Se sua vida está desorganizada e caótica, a melhor escolha que você pode fazer é ouvir o universo e confiar em si mesmo. Lembre-se: sua vida, seu microuniverso, contém todas as respostas que você busca — elas estão dentro de você, nunca no outro. Ame, respeite, cultive conexões genuínas e, acima de tudo, viva o presente. No fim, tudo na vida tem um propósito. Esse propósito começa e termina em você, e seu destino é o equilíbrio.


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