Foi dito por sábios que a raiz de todos os males do mundo está na ideia de uma verdade absoluta. Quando reflito sobre esse tema, lembro-me de um ditado popular: “Só os ignorantes têm certeza.”

Já passei por momentos em que, por breve tempo, acreditei saber algo definitivo sobre a alma humana. Contudo, à medida que analisava mais profundamente, percebia o quanto estava equivocado.

Minha trajetória na busca por entender a mente começou quando li meu primeiro livro de Freud, A Interpretação dos Sonhos. Com uma escrita envolvente, Freud me fascinou e me levou a estudar psicanálise. Após concluir minha formação, cheguei a pensar que estava apto a desbravar a intrincada alma humana. Mas logo percebi que havia muito mais a aprender.

Freud, sem dúvida, foi o pioneiro no aprofundamento dos estudos sobre a psique. Ele lançou as bases para a compreensão da mente humana, mas sua abordagem apresenta limitações. Diferentemente do que muitos acreditam, ela não responde a todas as questões.

Ao estudar a psicologia analítica, fui conduzido por Jung a um aprofundamento que ia além dos limites traçados por Freud. Aprendi conceitos valiosos, como o inconsciente coletivo – uma camada da psique que compartilhamos com toda a humanidade –, os arquétipos, que são padrões universais de comportamento e símbolos, e os complexos, que são conjuntos de emoções e memórias organizados em torno de experiências significativas.

Com Jung, também flertei com a espiritualidade e me vi diante de uma visão intrigante e densa sobre a alma humana. Ao contrário da clareza nos textos de Freud, as obras de Jung exigem um esforço contínuo de interpretação. Passei muito tempo tentando compreender sua perspectiva única, que me instigava a olhar além do indivíduo, em direção ao coletivo e ao transcendente.

No entanto, ao trabalhar com questões relacionadas a vícios e compulsões, percebi algo que escapava das abordagens psicológicas que conhecia: a necessidade de olhar para o corpo, mais especificamente para o cérebro.

Foi então que me deparei com a neurociência, uma área fascinante e prática. À primeira vista, ela me parecia algo simplista, até mesmo superficial, como certas abordagens motivacionais que nunca me atraíram. Mas, ao aprofundar meus estudos, descobri que essa ciência é inovadora e traz contribuições valiosas.

O Papel do Corpo nas Emoções

A neurociência tem avançado significativamente na compreensão da profunda conexão entre o corpo e o cérebro, mostrando como essa interação impacta processos como memória, emoções e bem-estar geral. Ela destaca que as emoções não são processos puramente cerebrais, mas emergem de uma interação constante entre o cérebro e o corpo.

O neurocientista António Damásio argumenta que as emoções nascem de respostas corporais que, posteriormente, são interpretadas pelo cérebro. Isso reforça a ideia de que, sem a participação do corpo, as emoções seriam apenas conceitos abstratos, desprovidos da vivência que as torna reais.

Essa jornada – da psicanálise à psicologia analítica e, agora, à neurociência – continua a me ensinar que o conhecimento é um campo sem fim. Cada nova descoberta me mostrou o quanto é essencial questionar, reavaliar e aprender continuamente.

Afinal, quem acredita saber tudo encerra em si mesmo a possibilidade de evolução. Por isso, compreendo hoje que a dúvida é o início do verdadeiro aprendizado, enquanto a certeza absoluta é a marca de quem ainda não se aventurou a explorar a complexidade da existência.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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