Ao longo dos séculos, as pessoas têm lutado entre si pela supremacia da verdade. Essa verdade, em essência, pode ser entendida como o caminho definitivo que levaria a alma humana à transcendência.
Vejamos, por exemplo, o que pregam as três grandes religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Cada uma, à sua maneira, propõe um caminho que conduz a Deus, ou seja, à elevação da alma humana e à transcendência. Para o Judaísmo, isso pode ser visto na busca pela santidade e na adesão às leis divinas; no Cristianismo, na salvação e na ressurreição através de Cristo; e no Islamismo, na submissão à vontade de Deus e no encontro com Ele na vida eterna.
Contudo, mesmo após milênios de busca, não podemos afirmar que essas crenças, cada qual com seus paradigmas, tenham alcançado plenamente esse objetivo. De fato, parece que o ser humano permanece, como no passado, preso às suas paixões e temores.
Eis alguns exemplos desses obstáculos:
- Ignorância: Ainda há mais pessoas que ignoram o tema da transcendência do que aquelas que buscam discernimento sobre si mesmas. Essa falta de busca pelo conhecimento interior as mantém afastadas de um entendimento mais profundo da vida.
- Apego ao mundo material: Observamos pessoas que matam e morrem por bens e poder. Essa fixação no material impede o ser humano de olhar para dentro e enxergar o que é eterno.
- Medo da morte: Algumas correntes de conhecimento sugerem que esse medo está ligado a questões psíquicas. O ego teme a morte porque, com ela, deixaria de existir. Apegado à ideia de permanência, ele resiste ao fluxo natural da vida.
- Egoísmo: A tendência de priorizar os próprios interesses acima dos dos outros desconecta o ser humano do coletivo e da ética, duas forças fundamentais para a transcendência.
Esses fatores, entre outros, continuam a limitar o ser humano, impedindo-o de transcender a si mesmo e alcançar a tão almejada plenitude espiritual.
Não pretendo oferecer todas as respostas, mas convido você a refletir sobre o tema. Considerando que a maioria dos meus leitores tem uma perspectiva ocidental, creio que termos como salvação, redenção, vida eterna e um local de justiça e paz (céu) tenham algum significado. É sobre isso que tratamos aqui.
Por que a transcendência da alma humana, tão apaixonadamente defendida por muitos crentes, não consegue atender aos anseios mais profundos da nossa alma?
O fato é que, ao observarmos a vida em sociedade, percebemos que muitas pessoas estão perdidas, com medo da própria existência e se agarrando a toda sorte de crenças, mas demonstrando pouca ou nenhuma evolução no caminho da transcendência.
Qual é, então, a proposta para empreendermos essa jornada em busca da transcendência?
Como empirista, posso assegurar que essa jornada começa internamente. Há alguns pontos fundamentais para essa busca:
- Transcendência é incompatível com a ignorância. O primeiro passo é o autoconhecimento e o desejo de discernimento.
- Não se trata da conquista de dinheiro ou poder. Essas coisas prendem o ser humano à materialidade.
- Quem transcende compreende a vida e a morte como fenômenos naturais. O medo da morte é substituído pela aceitação e pela sabedoria.
- A transcendência não é para egoístas. Conceitos como ética e moral são companheiros indispensáveis nessa jornada.
A questão do ego e a transcendência
O ego, na psicologia e nas tradições espirituais, é frequentemente o principal obstáculo à transcendência. Ele busca preservar-se a qualquer custo, identificando-se com bens, status ou crenças. Para transcender, é preciso reconhecer o ego como um instrumento, e não como o centro da existência.
Transcender não significa negar o ego, mas colocá-lo em seu devido lugar, permitindo que aspectos superiores do ser — como o altruísmo, a compaixão e o amor universal — assumam o protagonismo. Somente assim podemos nos libertar das ilusões do “eu separado” e nos conectar com algo maior.
Por fim, a transcendência não é um ponto final ou uma conquista material. É uma jornada contínua, um estado de ser que nos permite viver com plenitude, mesmo em meio aos desafios da existência. Não é um caminho fácil, mas é profundamente transformador.
Ao empreender essa busca, cada passo dado em direção ao autoconhecimento, à aceitação da impermanência e ao desapego do ego nos aproxima de uma vida mais significativa. Transcender é viver em harmonia com o fluxo da vida, compreender a interconexão de todas as coisas e encontrar paz dentro de si mesmo.
Então, qual será o próximo passo na sua jornada para a transcendência?

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