O Caminho para a Liberdade

O Caminho para a Liberdade

Outro dia, ouvi duas jovens conversando sobre os problemas do dia a dia, seus desejos e sonhos. Elas estavam visivelmente preocupadas com a possibilidade de não agradarem suas famílias com o evento que planejavam: uma festinha de aniversário. Observando a conversa, ficou claro que o que elas realmente buscavam era a aprovação dos outros. Além disso, percebi que, em vez de tentarem compreender a realidade em que viviam, gastavam mais tempo reclamando de suas próprias vidas.

Foi nesse momento que tive uma ideia: “A verdade de cada pessoa é aquilo que alimenta seu ego através de suas crenças.” Muitas vezes, as pessoas vivem tão focadas em seus pequenos mundos que acabam perdendo de vista o grande potencial que possuem como seres humanos.

Isso me levou a refletir: por que será que vivemos tão presos aos nossos desejos? Na verdade, essa não é uma pergunta nova. Freud, um dos maiores nomes da psicologia, já explicou isso há mais de cem anos. Segundo ele, nosso comportamento é muitas vezes guiado por uma busca constante: realizar desejos, sentir prazer e evitar tudo o que nos causa sofrimento.

Mas pense comigo: se a vida fosse apenas isso — buscar prazer e fugir do desprazer —, ela seria muito limitada, não é? Freud percebeu isso também. Em um de seus estudos mais profundos, chamado Além do Princípio do Prazer, ele apresentou o conceito de “pulsão de morte”. Essa ideia explica por que, muitas vezes, repetimos padrões destrutivos, mesmo sabendo que nos fazem mal. É como se houvesse uma força inconsciente que nos empurra para escolhas que contradizem a lógica de buscar apenas prazer.

Um exemplo simples: imagine uma pessoa que insiste em manter um relacionamento tóxico. Mesmo sabendo que aquilo faz mal, ela continua voltando, como se algo dentro dela a fizesse repetir esse ciclo. Freud chamou isso de pulsão de morte, uma força inconsciente que muitas vezes vai contra a ideia de viver apenas pelo prazer ou de evitar o sofrimento.

Essa reflexão me levou a lembrar de Kant, que traz uma perspectiva diferente, mas complementar. Para ele, ser verdadeiramente livre não é fazer o que se deseja, mas agir de acordo com a razão e os princípios morais. Em outras palavras, liberdade significa superar nossas inclinações e escolher o que é certo, mesmo quando isso é difícil. Essa autonomia moral nos desafia a buscar uma vida guiada por valores éticos e racionais, e não apenas pelos impulsos imediatos.

Quando unimos essas ideias, de Freud e Kant, percebemos que nossas vidas não devem ser conduzidas apenas pelo que desejamos ou tememos. Existe algo maior: o potencial de compreender quem realmente somos e usar essa compreensão para agir com propósito e liberdade.

E é aqui que o autoconhecimento se torna essencial. Ele nos ajuda a identificar os padrões que repetimos, a reconhecer nossas motivações inconscientes e a assumir o controle de nossas vidas. Sem autoconhecimento, somos como barcos à deriva, levados por correntes invisíveis que não compreendemos. Mas, ao nos voltarmos para dentro, enfrentamos nossas sombras e descobrimos a verdadeira liberdade.

Compreender a si mesmo é o primeiro passo para a transformação. E transformar-se é o único caminho para viver uma vida mais livre, com significado e propósito. Afinal, como podemos mudar o mundo à nossa volta, se não começarmos pela mudança dentro de nós?

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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