Más Escolhas

Más Escolhas

Ontem, enquanto acompanhava a limpeza da piscina que estava há seis meses sem manutenção, um pensamento me ocorreu. A piscina acumulava algas incrustadas nas bordas e no fundo da fibra que compõe o tanque. Refletindo, fiz uma analogia: as algas se assemelham às nossas más escolhas ao longo da vida. Muitas vezes, essas escolhas se transformam em remorsos, rancores, traumas e até mesmo em uma infinidade de psicopatologias — como algas incrustadas em nossa alma.

É difícil estimar o percentual de pessoas infelizes por conta de más escolhas, mas posso dizer com segurança: encontro tais casos com muita frequência. Penso que esse grupo seja imenso. É algo que sempre me chamou atenção. Por isso, busco entender por que as pessoas insistem em perpetuar essas escolhas, em vez de aprender desde o momento em que percebem que não foram decisões felizes.

Lembro-me de um caso marcante em minha experiência na advocacia da vara de família. Uma jovem mulher, bela e com cerca de 30 anos, desabafou comigo. Ela tinha cinco filhos e, curiosamente, iniciava cada relato com a frase: “Olha, doutor, não tive escolha, por isso…”.

Ao longo da conversa, notei que ela era inteligente e frequentemente elogiada no trabalho, mas seu vitimismo predominava. Quando perguntei por que não concluiu a faculdade, ela apenas respondeu: “Eu sou assim e ponto final.” Sua narrativa era permeada por uma constante transferência de culpa para outras pessoas ou circunstâncias.

Essa história me faz refletir: o que repetimos consistentemente ao longo do tempo acaba nos transformando e, eventualmente, nos definindo. Já parou para pensar em como sua vida poderia ser diferente se tivesse feito outras escolhas?

É natural que todos tenhamos arrependimentos por decisões tomadas no passado. No entanto, acredito que o conjunto de nossas escolhas, boas e ruins, é o que nos molda e nos torna quem somos hoje.

Embora não possamos mudar o que já foi, podemos — e devemos — aprender com nossos erros e falhas. Essa é a verdadeira essência do crescimento.

Convido você a refletir sobre as más escolhas que fez até aqui. Para isso, é essencial ser honesto consigo mesmo. Ao fazer essa análise, perceberá que sua vida atual está muito mais conectada às suas próprias decisões do que às ações de outras pessoas.

Assumir a responsabilidade por nossos atos — sejam ações ou omissões — é o primeiro passo para compreender e superar os desafios. Por mais que, em alguns momentos, pareça mais fácil culpar os outros ou as circunstâncias pelos nossos dessabores, essa nunca é toda a verdade.

Por fim, ao longo da vida, nossas escolhas não são apenas respostas ao mundo ao nosso redor, mas reflexos do que carregamos dentro de nós. Cada decisão, por menor que pareça, é uma janela para nosso interior. Por isso, o autoconhecimento é a chave para transformar nosso futuro.

Quando nos permitimos olhar para dentro, compreender nossas motivações, medos e padrões, abrimos caminho para escolhas mais conscientes e alinhadas com quem realmente somos. É nesse momento que nos libertamos do peso das más decisões do passado e começamos a escrever uma nova história.

O poder de mudar está em suas mãos. A jornada pode ser desafiadora, mas também é incrivelmente libertadora. Então, convido você: mergulhe em si mesmo, limpe as “algas” que obscurecem sua visão e descubra a clareza de uma vida guiada pelo propósito.

Lembre-se, o autoconhecimento não é apenas o primeiro passo — é o caminho todo. E nesse caminho, está a liberdade de ser a melhor versão de si mesmo.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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