Hoje de manhã, recebi uma mensagem de uma professora do ensino médio que conheci há alguns dias. Ela queria entrar em contato com um cliente meu, para quem presto consultoria em marketing político. O motivo do pedido me chamou atenção: ela estava organizando um prêmio para seus alunos, que haviam participado de um concurso de redação.
O objetivo dela era simples, mas muito significativo. Ela buscava apoio para levar os alunos a uma nova pizzaria da cidade como forma de recompensa. Fiquei tocado pela simplicidade da ideia e pela importância que esse gesto poderia ter na vida daqueles estudantes. Era algo pequeno, mas com potencial para marcar positivamente a memória dos jovens.
Coincidentemente, naquele mesmo dia, eu havia sugerido a esse cliente e sua equipe que focassem mais na conexão humana como estratégia para construir boas relações, em vez de priorizar somente grandes projetos na área da educação. Não que esses projetos não sejam importantes, mas acredito que, atualmente, o mundo precisa de ações simples, que toquem e valorizem a alma humana.
Somos Apenas Observadores ou Participantes?
Essa experiência me levou a refletir: qual é o papel que desempenhamos na realidade que vivemos? Será que apenas observamos o que acontece ou participamos ativamente na criação do mundo ao nosso redor?
Essa pergunta me conectou às ideias de John Archibald Wheeler, um físico renomado que acreditava que não somos apenas espectadores, mas participantes na construção da realidade. Ele dizia que nossas escolhas e ações têm um impacto direto na maneira como o universo se revela.
O Observador Como Criador
Wheeler acreditava que o universo não é algo pronto, esperando para ser descoberto. Pelo contrário, ele sugeria que, ao observar e interagir com o mundo, contribuímos para moldá-lo. Somos, de certa forma, criadores da realidade que vivemos.
Pensei nisso enquanto realizava coisas simples, como cozinhar, observar o céu ou brincar com meu filho. Essas ações, aparentemente pequenas, me trouxeram um profundo senso de conexão com o que realmente importa. Para Wheeler, essas escolhas e percepções cotidianas são como “bits” de informação que, juntos, formam o “ser” e a realidade em que vivemos.
Sincronicidade: Conexões com Significado
Um conceito de Wheeler que combina com o pensamento de Carl Jung é a sincronicidade — eventos que parecem desconectados, mas carregam um significado especial. Recentemente, ouvi a música “Simple Man” logo depois de escrever uma reflexão sobre a simplicidade. A letra falava exatamente sobre o que eu estava vivendo, como se o universo estivesse “respondendo” ao que eu sentia.
Wheeler descrevia o universo como uma rede interconectada, onde tudo está conectado de maneiras que nem sempre percebemos. Esses momentos de sincronicidade são lembretes de que existe algo maior em ação. Eles nos mostram que nossas escolhas e percepções fazem parte de uma trama maior.
Deixar o Fluxo da Vida Acontecer
Na física, Wheeler estudava como o universo segue leis naturais, como a gravidade ou os movimentos dos planetas. De forma semelhante, percebo que nossas vidas também têm um fluxo natural. Quando paramos de tentar controlar tudo e confiamos nesse fluxo, encontramos mais paz.
Nas últimas semanas, tenho praticado isso. Em vez de me preocupar excessivamente com prazos ou resultados, estou confiando no processo da vida. Isso não significa ser negligente, mas acreditar que há uma ordem maior guiando o que acontece. Wheeler dizia que a realidade surge da interação entre nós, como observadores, e o universo. Para mim, essa ideia faz todo sentido.
A Simplicidade e a Reconexão com o Essencial
Wheeler também acreditava que a essência do universo está na simplicidade — algo tão fundamental quanto a informação que forma tudo ao nosso redor. Isso me fez refletir sobre como as pequenas coisas — o sorriso do meu filho, a luz do pôr do sol ou o gesto de uma professora — têm um poder transformador.
Às vezes, buscamos sentido em grandes conquistas, mas o que realmente importa já está à nossa volta, nas coisas mais simples e autênticas.
O Que Você Está Criando?
Se somos participantes na criação da realidade, a pergunta inevitável é: o que estamos criando neste momento? Nossas escolhas, pensamentos e emoções são os “bits” que formam a experiência que vivemos. Quando prestamos atenção à vida e agimos com intenção, nos alinhamos com o propósito que já existe dentro de nós.
Wheeler nos convida a ver o universo não como um mistério a ser desvendado, mas como um diálogo contínuo. Cada pequena decisão que tomamos é uma peça nesse grande quebra-cabeça. Da mesma forma, nossa vida é uma teia de significados que cabe a nós revelar.
Conclusão: O Observador e o Despertar
“Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta”, disse Carl Jung. Wheeler complementaria: “E ao olhar para dentro, participe.” Quando nos tornamos observadores conscientes, entendemos que não estamos apenas vivendo no universo, mas também ajudando a criá-lo.
E você? Já parou para pensar no que o seu coração está criando agora? Talvez a resposta esteja na simplicidade do momento presente, onde tudo começa e onde podemos encontrar o propósito que tanto buscamos.

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