Luz e Sombra: O Equilíbrio em Nós

Será que você concorda comigo? Uma manhã perfeita em um feriado deve ser chuvosa! Amo as chuvas nas manhãs de domingo ou nos feriados — é um convite para desacelerar e refletir.

No Brasil, celebramos hoje a Proclamação da República, uma narrativa construída pelos vencedores da história. Mas será que realmente retratava o anseio do povo? Ou foi uma decisão guiada por interesses específicos? É curioso como essas histórias, contadas de uma perspectiva única, podem parecer inquestionáveis. Será que foram atos de bondade ou de maldade? E o que isso nos diz sobre a maneira como enxergamos nossos próprios atos?

Você já mentiu ou praticou algo que, no fundo, sabe ser antiético ou imoral? Negar isso é mentir para si mesmo. Convido você a refletir sobre a origem da bondade e da maldade, e a compreender por que o bem e o mal fazem parte de quem somos.

Quando pensamos em maldade, a primeira pergunta que surge é: quem, o quê, por quê? Quase sempre atribuimos a outras pessoas a autoria de atos maus. É mais confortável acreditar que o mal está “lá fora” — nos outros, em situações ou sistemas. Mas e se olhássemos para dentro? Talvez mudássemos de ideia.

Carl Gustav Jung, renomado psiquiatra suíço, nos alerta para uma verdade desconfortável: o mal não é algo externo ou reservado a “outros”. Ele é parte intrínseca da natureza humana. Jung descreveu o conceito da sombra como a soma de todos os aspectos de nós mesmos que preferimos não reconhecer — impulsos egoístas, desejos reprimidos, inveja e, sim, até nossa capacidade para o mal.

Todos carregamos uma sombra, e quanto mais negamos sua existência, mais ela nos controla de forma inconsciente. Isso pode se manifestar em julgamentos sobre os outros ou na tendência de culpar o mundo pelas nossas próprias falhas.

Por que reconhecer a sombra é essencial?

Quando rejeitamos a ideia de que o mal faz parte de nós, projetamos essa escuridão em outras pessoas ou grupos. Acusamos o “outro” de ser corrupto, cruel ou egoísta, sem perceber que essas mesmas características existem, em potencial, dentro de nós. Jung nos ensina que a verdadeira sabedoria começa com a integração da sombra — ou seja, reconhecer e aceitar que somos tanto luz quanto escuridão.

Isso não significa justificar comportamentos errados ou agir de forma maldosa. Pelo contrário, é apenas ao reconhecer nossa capacidade para o mal que podemos controlá-la. Quando entendemos que o bem e o mal não são opostos absolutos, mas partes complementares da psique, conseguimos nos tornar mais conscientes e responsáveis por nossas escolhas.

O desafio ético do bem e do mal

Jung também questionava as regras rígidas de moralidade que muitas vezes simplificam a complexidade humana. Ele dizia que o bem e o mal não são verdades universais, mas julgamentos relativos, que variam de acordo com o tempo, o lugar e as circunstâncias.

Por isso, decidir o que é certo ou errado exige um processo profundo de autoconhecimento. Sem essa reflexão, corremos o risco de sermos arrastados por forças inconscientes, tanto da sombra pessoal quanto da coletiva.

E o que fazer com essa consciência?

Reconhecer a sombra é apenas o primeiro passo. A integração da sombra nos convida a olhar para dentro de nós mesmos com honestidade, sem julgamento. Isso significa aceitar tanto nossos atos vergonhosos quanto nossos gestos nobres como partes de uma totalidade maior. A partir dessa aceitação, podemos escolher conscientemente agir com ética, equilíbrio e humanidade.

O verdadeiro desafio, segundo Jung, é não sucumbir completamente a nenhum dos polos: nem ao bem absoluto, que pode se tornar tirania moral, nem ao mal absoluto, que pode nos levar à destruição. Em vez disso, precisamos nos mover entre esses extremos com sabedoria, reconhecendo que ambos fazem parte do paradoxo da vida.

Convido você a refletir: em vez de buscar a perfeição ou apontar o dedo para fora, que tal olhar para dentro e explorar sua própria sombra? Só quando aceitamos nossa totalidade — luz e escuridão — podemos realmente evoluir como seres humanos. Afinal, como disse Jung: “Não nos tornamos iluminados ao imaginar figuras de luz, mas ao trazer à consciência nossa própria escuridão.”

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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