Equilíbrio entre Bem e Mal

Equilíbrio entre Bem e Mal

Você já percebeu como a vida anda caótica? Vivemos em meio a escolhas e julgamentos, constantemente incentivados a decidir entre o bem e o mal. No entanto, muitas vezes nem nos damos conta disso. Um exemplo é a busca por aprovação social, onde somos estimulados a julgar e, ao mesmo tempo, a sermos julgados.

Hoje pela manhã, enquanto esperava na oficina para trocar o óleo do carro, olhei para fora e vi a placa de uma igreja cristã. Naquele momento, estava lendo “Memórias, Sonhos, Reflexões”, de Carl Jung, e um pensamento surgiu: “Será que os religiosos, com suas doutrinas, realmente acreditam conhecer as escolhas certas, especialmente em questões morais, em detrimento de outras?”

Mas será que realmente entendemos o que está por trás dessas escolhas? Carl Jung, um importante pensador da psique do século XX, nos mostra que compreender o que é “certo” e “errado” é um desafio maior do que parece e está profundamente ligado ao quanto conhecemos a nós mesmos. Diferente da ideia de que uma crença específica detenha um monopólio sobre a moralidade, Jung acredita que o ato de julgar está enraizado em nossa subjetividade.

Algo interessante sobre os julgamentos, especialmente para quem busca o autoconhecimento, é que a moral — aquilo que a sociedade define como bom ou ruim — muda conforme o tempo e o lugar. Por isso, nossas decisões nem sempre podem se apoiar apenas nas regras externas. Segundo Jung, tomar uma decisão ética, ou seja, escolher entre o bem e o mal, depende de algo mais profundo que vem de dentro de nós, algo que ele chama de “inconsciente”.

Esse “inconsciente” é como uma parte oculta da mente, cheia de pensamentos e emoções que nem sempre notamos. Jung acredita que, para escolher de verdade, precisamos conhecer o bem e o mal dentro de nós. Isso significa aceitar tanto o que gostamos em nós quanto o que preferimos esconder. Essa jornada de autoconhecimento nos ajuda a entender quem realmente somos.

Muitas vezes, seguimos padrões e regras sem questionar, o que nos impede de fazer escolhas conscientes. Quando apenas seguimos as normas, podemos acabar perdidos, sem saber como enfrentar os desafios reais da vida. Jung acredita que, para lidar com o “mal” que vemos no mundo, primeiro precisamos entender a nós mesmos.

Ele nos alerta que todos têm luz e sombra dentro de si. Esse conflito entre o bem e o mal faz parte de nossa natureza. O autoconhecimento nos ajuda a equilibrar esses dois lados, permitindo que vivamos com mais paz e harmonia. Jung usava o símbolo da mandala para representar essa união dos opostos, que ele via como o caminho para nos tornarmos completos.

Essa jornada para nos entender melhor não é fácil, mas é necessária. Quando olhamos para dentro de nós e aceitamos tanto nossas qualidades quanto nossos defeitos, nos tornamos mais fortes. Encarar nossa própria “sombra” nos ajuda a compreender que o mal que vemos no mundo é, muitas vezes, o reflexo das partes de nós mesmos que ainda não conhecemos bem.

O autoconhecimento é, então, um convite para nos conhecermos por inteiro. E, com isso, podemos tomar decisões mais conscientes e viver de forma mais autêntica, aceitando tanto nossa luz quanto nossa sombra.

Ao final, o autoconhecimento é mais do que um simples olhar para dentro; é um mergulho profundo nas camadas de quem realmente somos. Aceitar tanto nossa luz quanto nossa sombra nos fortalece e nos liberta das amarras de julgamentos externos, permitindo que vivamos com autenticidade e coragem. Ao compreender nossas próprias contradições, descobrimos que o equilíbrio entre o bem e o mal não é uma questão de escolha entre opostos, mas de integração de todos os aspectos de nossa natureza. É um chamado para sermos completos, para trilhar um caminho que não pertence a normas alheias, mas ao nosso próprio espírito. Essa é a verdadeira liberdade: viver de forma consciente, acolhendo tudo o que somos, e, assim, encontrar a paz que tanto buscamos no mundo.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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