Quando falamos de espiritualidade, logo pensamos em religião, mas não é sobre isso que trataremos aqui. Em muitas culturas, a busca pela espiritualidade é uma prática comum. No entanto, no mundo ocidental, esse interesse tem diminuído ao longo do tempo. Isso pode ser visto na forma como as religiões tratam a espiritualidade. Desde os movimentos pentecostais até as religiões tradicionais, criou-se uma espécie de mercantilismo em torno da espiritualidade, o que é um grande erro.
É verdade que o materialismo teve um papel importante no desenvolvimento da humanidade, mas hoje vemos a degradação do ser humano, algo que começou a ser incentivado desde o Iluminismo, a Revolução Industrial e o racionalismo. Claro, há exceções. Em muitos países capitalistas, por exemplo, ainda ecoam ideias defendidas pelo comunismo. Não há como negar que tanto o capitalismo quanto o comunismo focam no coletivo e no capital.
No entanto, essa reflexão não é uma crítica aos sistemas adotados por cada povo, mas sim um alerta sobre como o afastamento da espiritualidade pode causar problemas que afetam a alma humana.
Atualmente, parece que se dá mais importância a questões como o clima e o meio ambiente, e menos à condição humana. Recentemente, li um texto que falava sobre a libertação mental do povo ao se abrir para o coletivo. No entanto, o autor se esqueceu do indivíduo, ou, no mínimo, deixou a alma humana em segundo plano.
Hoje, temas como bem-estar e saúde mental estão em destaque. Esses assuntos envolvem conhecimentos de diversas áreas, especialmente da psicologia, como a psicanálise e a psicologia analítica. Explorar a mente humana não deve se limitar ao comportamento, mas também incluir uma jornada interior para entender por que sentimos o que sentimos, conduzindo o indivíduo ao autoconhecimento.
Essa jornada de autoconhecimento vai além de qualquer doutrina ou ideologia. A espiritualidade, nesse contexto, não está ligada apenas a crenças religiosas, mas ao desenvolvimento interior, ao entendimento de quem somos e de como nos relacionamos com o mundo ao nosso redor. Quando nos afastamos desse processo, permitimos que o materialismo e o coletivo controlem nossas vidas, e acabamos esquecendo o que é mais essencial: nossa própria existência, nossa alma.
O retorno à espiritualidade não significa negar a importância das conquistas materiais ou sociais, mas sim encontrar um equilíbrio entre o que é externo e o que é interno. A verdadeira espiritualidade não nos afasta do mundo, mas nos conecta a ele de forma mais profunda, ensinando-nos a viver com consciência e respeito aos outros e a nós mesmos.
Conclusão
Em um mundo cada vez mais focado no consumo, no sucesso externo e nas grandes causas coletivas, a busca pela espiritualidade nos lembra da importância de olhar para dentro. Não podemos esquecer que, por trás de cada ação, pensamento ou movimento social, existem indivíduos com sentimentos, histórias e almas que clamam por compreensão.
O afastamento da espiritualidade é, em muitos casos, a raiz do vazio existencial que muitos enfrentam hoje. Somos incentivados a buscar metas externas, mas raramente somos estimulados a olhar para dentro de nós mesmos. Ao ignorar essa dimensão, corremos o risco de perder aquilo que nos faz verdadeiramente humanos.
Assim, a grande pergunta que devemos nos fazer é: estamos apenas sobrevivendo ou estamos realmente vivendo? A verdadeira vida só se revela quando nos conectamos com nossa espiritualidade, entendendo que, embora a matéria nos sustente, é a alma que dá sentido à nossa existência. É nesse ponto de encontro entre o externo e o interno, entre o material e o espiritual, que encontramos a plenitude de ser quem realmente somos.


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