Você é feliz? Quem nunca se deteve a olhar para outra pessoa como se ela fosse o paradigma da felicidade?
O fato é que as pessoas estão sempre em busca da felicidade, como se fosse um objetivo a ser alcançado. No entanto, o que invariavelmente acontece é que, depois de um tempo nessa jornada, a felicidade parece escorregar por entre nossos dedos, como tentar segurar algo líquido nas mãos.
A ideia de que a felicidade é um destino é completamente equivocada. Ninguém pode afirmar que possui a “receita da felicidade”, como se fosse uma receita de bolo. Mesmo que você reúna todos os “ingredientes” que outras pessoas dizem ser necessários, o resultado dificilmente será o que você esperava.
Eis a questão: não existe uma felicidade objetiva e concreta, porque esquecemos de considerar um fator essencial — a nossa subjetividade. Cada pessoa é única, e isso, por si só, derruba a idealização de que a felicidade pode ser conquistada de forma universal.
Outro dia, li Memórias, Sonhos, Reflexões de Jung. Esse brilhante pensador, que atingiu um elevado grau de individuação, trouxe luz a esse enigma que chamamos de felicidade. O que me chamou atenção foi sua constatação de que a alma e o corpo são partes que nem sempre estão completamente unidas. Podemos condicionar nosso corpo a se desenvolver e alcançar determinada performance, mas isso não se aplica à alma. É como se nossa alma tivesse uma mente própria, seguindo um desenvolvimento independente.
Além disso, por mais que tentemos “condicionar” a nossa alma, isso é uma utopia. A alma, por sua natureza, não pode ser limitada pelas regras do mundo objetivo. Ela segue um caminho próprio, com uma energia que não depende do corpo para existir ou se manifestar. Quando vemos pessoas fazendo dietas ou praticando exercícios mentais na busca pela iluminação, não podemos ter certeza de que isso afeta diretamente a alma, pois desconhecemos suas leis.
Quando falamos da alma, nos referimos ao centro de nossas emoções, mas ela tem propósitos que lhe são peculiares. Um indivíduo pode até tentar buscar o equilíbrio, mas, como disse Jung, podemos oscilar para a direita ou para a esquerda, como um pêndulo. Cada extremidade representa a matéria ou o espírito, e em nenhum desses extremos encontraremos a felicidade.
A cultura asiática milenar nos ensina sobre o “caminho do meio”, o equilíbrio como o mais certo a ser buscado. No entanto, poucos são os que, ao trilhar esse caminho, podem afirmar que atingiram a tão almejada felicidade.
Por fim, a felicidade é algo que pode ser sentido no presente. Ela deriva, por assim dizer, de um estado de espírito em um momento específico. Ninguém pode garantir que será feliz agindo ou não de determinada maneira. O que de fato experimentamos são momentos de plenitude, um verdadeiro estado de presença.


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