Quando eu era mais jovem, possuía tantas certezas sobre conceitos como o céu, o inferno, o amor e o ódio. Felizmente, mantive minha mente aberta e desejei ardentemente adquirir discernimento. Agora, aos cinquenta anos, reconheço que sei muito pouco. As certezas e verdades que eu pensava dominar mostram-se ainda distantes de uma compreensão plena.
O alcance de nossas convicções define nossa perspectiva sobre a vida. Não pretendo impor uma maneira correta de enxergar o mundo, eventos ou pessoas, mas sim compartilhar reflexões que considero essenciais para uma compreensão mais realista do nosso entorno.
A ciência aponta que julgar é uma habilidade fundamental do ser humano. Apesar de haver exceções, a maioria dos nossos julgamentos não decorre diretamente de nossa racionalidade. Desde o momento em que despertamos, avaliamos constantemente o mundo ao redor, muitas vezes focando na autopreservação: verificamos a segurança, o ambiente e nossa saúde. Esses julgamentos ocorrem automaticamente, seja ao sentir frio ou calor, seja ao atribuir um mal-estar à alimentação ou bebida do dia anterior. Da mesma forma, realizamos julgamentos automáticos sobre as pessoas que nos cercam, notando quando alguém parece tenso, estranho ou agitado. Fazemos julgamentos incessantemente.
Por que, então, são tão cruciais nossas convicções nesse processo? A resposta é simples: nossos julgamentos sobre nós mesmos e sobre os outros são profundamente influenciados por nossas crenças. Os mais destrutivos são aqueles que resultam em vereditos imediatos, acusando e condenando alguém em uma única frase. Expressões como ‘você fez isso’, ‘você é um traidor’, ‘você é mau’ exemplificam esse tipo de julgamento e têm grande potencial para destruir relacionamentos. Reconhecer e questionar nossas convicções é vital para formar julgamentos mais justos e manter relações mais saudáveis.
Por fim, vale lembrar que ‘a boca fala do que o coração está cheio’. Portanto, antes de julgar, conte até dez. O que você diz pode desencadear uma reação em cadeia, comprometendo sua paz, afetando sua esperança e corroendo suas convicções. O que parece verdade pode revelar-se, em um breve momento, apenas um reflexo de suas próprias crenças mal fundamentadas. À medida que envelheço, aprendo cada vez mais a valorizar a paciência e a reflexão antes de firmar qualquer julgamento.


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