Imagine que a maioria das coisas que nos deixam tristes ou preocupados, tirando aquelas dores físicas de uma queda ou doença, vem mais da forma como vemos o mundo e nós mesmos do que de coisas reais que nos faltam. Desde os tempos das cavernas, os seres humanos evoluíram muito, criando coisas incríveis como ferramentas e até inteligência artificial para tornar a vida mais fácil. Mas, de alguma forma, isso só fez aumentar nossas preocupações e desejos, nos deixando até mais insatisfeitos.
Na vida do dia a dia, a gente tende a achar que nossos problemas vêm da falta de algo, como dinheiro ou amigos. Mas, na verdade, muitas vezes o que nos faz sentir mal está dentro da gente, nas nossas emoções e pensamentos. Isso não quer dizer que todo mundo sente a dor da mesma maneira; na verdade, cada um de nós vive e sente as coisas à sua maneira, dependendo de como vê o mundo.
Com o tempo, nós, seres humanos, criamos novas “necessidades”, como a de ser aceito pelos outros, o que nos traz muita angústia. Ao analisar as preocupações das pessoas que vêm me procurar para conversar (sou psicanalista), percebo três grandes motivos de sofrimento: problemas que começaram na infância, dificuldades em se relacionar com outras pessoas (como em um término de namoro), e uma grande questão que é como nos sentimos em relação a nós mesmos. Muitas vezes, as pessoas não entendem seus próprios sentimentos ou por que se sentem de certa forma, o que tem muito a ver com as ideias e crenças que aprendemos enquanto crescíamos.
Essa dor emocional, eu acredito, está muito conectada com a maneira como cada um de nós entende o mundo e a nós mesmos. Por exemplo, o fim de um relacionamento pode doer muito porque pensamos que “possuímos” a outra pessoa. Com base no que Freud disse há muito tempo, muitos dos conflitos que sentimos vêm de coisas que vivenciamos na infância, mesmo antes de termos plena consciência disso.
Além disso, a maneira como interagimos com o mundo ao nosso redor e as crenças que adotamos pode tornar esse sentimento de culpa muito forte, fazendo-nos sentir presos e infelizes. Essa sensação de estar sempre devendo algo, de não ser bom o suficiente, é um grande problema hoje em dia. A gente acaba vivendo de maneira a tentar atender às expectativas dos outros, o que aumenta nosso sofrimento. A solução pode estar em nos conhecermos melhor, entender o que realmente precisamos e queremos, e não nos prendermos tanto às expectativas alheias.
No cerne de nossa busca incessante por felicidade, muitas vezes esquecemos que o segredo não está no acúmulo de bens ou na busca por validação externa, mas sim na coragem de mergulhar profundamente em nosso próprio ser. Ao compreender e aceitar nossos sentimentos, desejos e medos, começamos a trilhar o caminho da verdadeira liberdade emocional. A chave para uma vida mais plena e satisfatória reside não em moldar-nos às expectativas do mundo, mas em descobrir e honrar nossa essência mais autêntica.
Portanto, que este seja o momento de despertar para uma nova perspectiva de vida, onde o autoconhecimento e a autoaceitação se tornam nossos maiores aliados. Ao invés de permitir que o reflexo distorcido do mundo defina quem somos, vamos nos olhar no espelho da mente com honestidade e compaixão. Esse é o convite para uma jornada transformadora em direção ao nosso bem-estar genuíno, onde cada passo nos afasta das sombras da insatisfação e nos aproxima da luz de nossa verdadeira natureza.
Em última análise, o caminho para superar o sofrimento e alcançar uma felicidade duradoura não requer a busca incessante por mais, mas sim a valorização profunda do que já existe dentro de nós. Ao reconhecermos e celebrarmos nossa singularidade, nos libertamos das correntes da comparação e da competição, abrindo espaço para uma existência marcada por paz, amor próprio e autêntica satisfação.


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