Quando você desperta para a realidade da vida, percebe que o modo como vinha existindo mais se assemelhava a uma fantasia, um sonho distante da verdade. Você já se perguntou o que realmente significa esse despertar? Caso a resposta seja negativa, convido-o a refletir sobre sete aspectos fundamentais que podem indicar se ainda está “adormecido”: questionar as “verdades” que lhe foram impostas; aceitar-se plenamente, reconhecendo que suas escolhas muitas vezes fogem à racionalidade completa; confiar em sua própria companhia, encontrando segurança na solidão; libertar-se da dependência emocional alheia; não ansiar pela aprovação externa; ser honesto consigo mesmo; e não projetar nos outros a culpa por seus reveses.
Não existe uma fórmula mágica para o despertar; muitos de nós nos agarramos às nossas fantasias pessoais ou esperamos ser salvos por outrem, por uma ilusão coletiva. Lembro-me das reações ao filme “Matrix”: a maioria destacava as cenas de ação e os efeitos visuais, sem captar a essência de sua mensagem. Vivemos, em grande parte, num estado de torpor, desejando ser resgatados de nós mesmos, seja por desconhecimento de uma existência com propósito, seja por uma negação consciente.
Meu próprio despertar se deu de maneira sutil. Desde jovem, a visão de mundo que me foi apresentada nunca me satisfez completamente. Sempre me senti perturbado por ela, sem entender que o problema não residia na educação ou cultura recebida, mas na minha percepção de mim mesmo. Me considerava um bom filho, um parceiro leal, mas, na verdade, eu estava suspenso numa realidade paralela, onde os eventos que me afetavam pareciam desvinculados do meu verdadeiro “eu”, sempre agindo com base nas consequências, não na causa. Intrigantemente, a maior parte do meu sofrimento não vinha dos outros, mas de mim mesmo.
Entender a existência transcende o mero acúmulo de conhecimento ou o bom convívio social. Conhecer-se verdadeiramente exige um compromisso profundo consigo, que começa pelo perdão próprio e a aceitação consciente dos erros, sem remorsos subsequentes.
Há uma frase que me marcou, cujo autor me escapa, mas que diz: “Se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olhará para você.”
Em suma, a jornada do autoconhecimento nos conduz para além das ilusões que criamos sobre nós mesmos e o mundo. Ao despertarmos para a essência verdadeira do nosso ser, desvendamos as camadas mais profundas da nossa existência. Somente libertando-nos das amarras das fantasias e enfrentando a realidade é que alcançamos a paz interior verdadeira. Continuemos, então, a explorar os mistérios do ser, sem temer o abismo, pois é nele que reside nossa mais autêntica essência.


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