Além do Material: Uma Jornada de Desapego e Liberdade Interior

O primeiro texto que li nesta manhã foi algo fora do comum: uma citação sobre o desapego extraída do livro hindu Bhagavad Gita, que ensina a importância de agirmos sem apego aos frutos de nossas ações. Sendo um empirista, senti-me compelido a compartilhar uma reflexão pessoal acerca dessa temática.

Refletindo sobre a jornada do desapego em minha vida, percebo que essa característica sempre se fez presente, marcando indelével minha personalidade. Recordo-me de momentos da minha infância, fragmentos de memórias que já evidenciavam uma empatia e um desapego notáveis. Com o passar dos anos, essas inclinações não somente persistiram, mas também moldaram de forma decisiva minha interação com o mundo e as pessoas ao meu redor.

A vida adulta trouxe consigo questionamentos profundos: Por que valorizo tanto o bem-estar alheio, muitas vezes em detrimento do meu próprio? Essa abordagem altruísta, embora nobre, frequentemente me colocou em situações financeiras desafiadoras. Como programador, minha habilidade em organizar negócios era indiscutível e o impacto do meu trabalho na vida das pessoas, palpável. No entanto, eu costumava cobrar menos do que o mercado sugeria, guiado pela crença de que cobrava o que era “justo”, sem considerar adequadamente minha própria subsistência.

Esse desapego também se estendia às minhas posses materiais. Desde minha primeira bicicleta até os vários automóveis que possuí durante minha vida adulta, nunca me apeguei a eles como símbolos de status ou extensões da minha identidade. Eram para mim meramente ferramentas, meios para um fim, e não fins em si mesmos.

Um episódio que ilustra bem essa perspectiva ocorreu com a mãe de uma ex-namorada. Antes de uma viagem, ela manifestou preocupação sobre onde deixaria seu carro, buscando um local seguro. Surpreendida com minha indiferença ao sugerir que simplesmente o deixasse em meu amplo quintal, sem a necessidade de uma garagem protegida, ela reagiu como se tivesse ouvido algo ofensivo. Esse incidente me levou a refletir sobre como o apego às posses pode influenciar nossas atitudes e percepções.

No entanto, esse desapego transcende a mera relação com bens materiais. Ele se fundamenta em uma compreensão mais profunda de que a verdadeira riqueza reside em nossa capacidade de viver de acordo com nossos valores, de oferecer sem esperar retorno, de olhar além do material. Ao longo dos anos, aprendi que desapego não implica falta de cuidado ou valorização; pelo contrário, é o reconhecimento de que o que realmente importa transcende o tangível.

Por fim, compartilho estas reflexões em meu blog de autoconhecimento, não como verdades incontestáveis, mas como convites à reflexão sobre como o desapego pode se manifestar em nossas vidas de formas surpreendentemente ricas e variadas. Trata-se de uma jornada pessoal, sem dúvida, mas que oferece insights universais sobre como podemos viver de maneira mais plena e significativa.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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