Busca pela Felicidade: Um relato pessoal

Desde minha juventude, tenho buscado entender o que é a felicidade. Minha mãe, sempre prática e determinada, acreditava que a felicidade era fruto do trabalho árduo e da conquista de nossos desejos. Em contraste, meu pai tinha uma visão mais tumultuada, balançando entre uma fé religiosa intensa e um final trágico: o seu próprio suicídio.

Essas influências divergentes moldaram minha jornada. Agora, aos 57 anos, tendo vivido experiências de sucesso, amor, perdas e paternidade de sete filhos, continuo questionando o significado da felicidade. Foi na obra de Freud que encontrei insights que esclareceram minha compreensão.

Vale conhecer as reflexões de Freud sobre a Felicidade:

1. Dependência da Constituição Psíquica: A felicidade é fortemente influenciada pela nossa constituição psíquica individual, independente dos fatores externos.

a) Indivíduo Erótico: Este tipo de personalidade busca a felicidade principalmente através dos relacionamentos interpessoais. Para o indivíduo erótico, as conexões emocionais, a intimidade e o amor são componentes centrais de sua felicidade. Eles tendem a valorizar muito as amizades, as relações amorosas e os laços familiares. A satisfação para eles vem da capacidade de compartilhar, cuidar e sentir-se conectado com os outros. No entanto, esse tipo de busca pela felicidade pode ser arriscado, pois depende muito dos outros e de como esses relacionamentos se desenvolvem.

b) Indivíduo Narcisista: Freud usou o termo “narcisista” de uma maneira ligeiramente diferente da compreensão contemporânea. Aqui, refere-se a indivíduos que encontram a felicidade em seu mundo interno, seja por meio de pensamentos, fantasias, ou realizações pessoais. Este tipo de pessoa pode se sentir mais feliz quando está engajada em atividades que reforçam sua autoestima, exploram sua criatividade, ou permitem um tempo significativo para a reflexão e o autoconhecimento. Apesar de “narcisista” muitas vezes ter uma conotação negativa, neste contexto, refere-se simplesmente a uma orientação mais interna para a satisfação pessoal.

c) Indivíduo de Ação: Estes são os indivíduos que buscam a felicidade através do engajamento e da manipulação do mundo exterior. Eles são frequentemente orientados para objetivos, focados em conquistas e realização de tarefas. Para eles, a felicidade vem da capacidade de mudar, influenciar ou controlar aspectos do ambiente ao seu redor – seja no trabalho, em hobbies, ou em outras formas de atividade externa. Este tipo pode encontrar grande satisfação em superar desafios, alcançar metas e ver os resultados tangíveis de seus esforços.

Cada um desses tipos psíquicos reflete diferentes abordagens e caminhos na busca pela felicidade, e Freud acreditava que a maioria das pessoas apresenta uma mistura desses tipos, com um ou outro sendo mais dominante. É importante notar que, segundo Freud, nenhum desses caminhos é superior ao outro; cada um tem seus próprios méritos e desafios.

Contudo, o pai da psicanálise ressaltou sobre os Perigos da Excessividade: Uma dedicação excessiva a qualquer um desses caminhos pode ser perigosa.

2. Sabedoria na Moderação: É prudente não apostar tudo em uma única abordagem na busca pela felicidade.

3. Religião como Submissão: A submissão religiosa, muitas vezes vista como caminho para a felicidade, pode ser na verdade uma ilusão que leva à submissão total.

4. Ausência de Regras Universais: Não existe uma “regra de ouro” para a felicidade; cada um deve descobrir seu próprio caminho.

5. Amor, uma Fórmula Mágica?: O amor pode parecer uma chave para a felicidade, mas também envolve o risco de profunda decepção.

Freud destacava a complexidade na busca pela felicidade, ressaltando a importância da individualidade, moderação e dos riscos de se concentrar em apenas um caminho. Essas ideias ressoam em minha jornada, mostrando-me que a felicidade é um conceito multifacetado e, frequentemente, fugaz.

Concluo que talvez a felicidade consista em fragmentos, em momentos breves de plenitude e satisfação. Estou inclinado a concordar com Nelson Barh que diz: “A felicidade surge nos raros momentos de conquista e satisfação e se dissipa diante da triste realidade cotidiana.”

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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