Em um mundo onde o barulho das fake news reverbera, criando uma cacofonia que distorce a verdade e desafia nosso discernimento, há um anseio profundo por um filtro de autenticidade. É aí que a sabedoria de Julian Treasure surge como um farol de esperança. Em sua palestra TED, “Como falar para que as pessoas queiram ouvir”, Treasure nos apresenta uma chave mestra para transcender o ruído e tocar o coração da comunicação humana.
Ele nos fala de HAIL – um acrônimo para honestidade, autenticidade, integridade e amor – qualidades essenciais para uma fala que não apenas é ouvida, mas valorizada e respeitada. Em meio ao tumulto das fake news, essas qualidades são como silêncio em forma de som; elas atraem a atenção porque são raras, são reais, são necessárias.
A honestidade corta o ruído com sua clareza. A autenticidade supera qualquer cópia barata de fato distorcido. A integridade garante que nossa palavra seja consistente, que nossa fala não seja vendida ao maior lance de cliques e visualizações. E o amor – esse desejo genuíno pelo bem do outro – é o que realmente nos diferencia, transformando uma mera troca de informações em uma conexão humana verdadeira e profunda.
Treasure também enfatiza o uso consciente de nossa voz – o tom, o ritmo, a pausa – como instrumentos para enfatizar nossa mensagem. Não é apenas o que dizemos, mas como dizemos. Nossa voz pode ser uma ferramenta para construir pontes ou muros, para acalmar ou incitar, para confundir ou clarificar.
Então, como nos tornamos uma voz de clareza e verdade em um mundo barulhento e frequentemente desonesto? Primeiro, ao desenvolver um filtro interno refinado, sintonizado para detectar e rejeitar as fake news. E segundo, ao sermos a encarnação dos princípios de HAIL em nossas conversas diárias. Quando falamos com honestidade, autenticidade, integridade e amor, não só reduzimos o ruído que criamos, mas também encorajamos outros a fazer o mesmo.
A crítica aqui não é apenas às falsidades que nos cercam, mas à nossa própria complacência em aceitá-las ou propagá-las. A beleza que “cala”, como diz Pondé, é a beleza de uma voz que se recusa a ser parte do ruído, uma voz que, ao invés de se perder na cacofonia, escolhe deliberadamente um caminho de clareza e conexão.
Portanto, ao encararmos o desafio de comunicar em um mundo cheio de ruídos e falsidades, lembramos da importância de sermos aqueles que trazem a calma do silêncio, a força da verdade, e a beleza da comunicação que ressoa não apenas aos ouvidos, mas aos corações. Porque, no final das contas, as palavras que realmente importam são aquelas que conseguem, mesmo em meio ao caos, tocar a alma.


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