Por que ainda existe tanta carência afetiva? Por que a falta de afeto, ou “amor” não correspondido traz tanto sofrimento?
— Quem nunca teve dor-de-cotovelo atire a primeira pedra! Mas, isso não é fim do mundo —, vamos tentar compreender…
O termo sofrência é um neologismo, formado pela junção das palavras “sofrimento” e “carência”, com significado similar a expressão popular “dor-de-cotovelo”. A sofrência ainda pode significar o ato de sofrer continuamente, de maneira depressiva e lastimável.
Fato é que gostemos ou não, isso é uma realidade de muitas pessoas —, ou, pelo menos aqui abaixo a linha do equador, nos trópicos. Há pessoas que fazem desse sentimento não correspondido o sentido das próprias vidas!
Ao discorrer sobre esse tema popular, buscaremos entender o “dilema” dos “sofrentes” e, em simultâneo, verificar como esse fenômeno popular se relaciona com o autoconhecimento.
Para entender qualquer dilema ligado aos sentimentos humanos, devemos procurar por respostas no único local e meio possível, isto é, em nós através de uma viagem interior, porque é só através do autoconhecimento, o conhecimento de si mesmo, é que podemos fazer isso.
Em síntese, a sofrência, se trata de uma expectativa errada que se tem em relação aos sentimentos de outra pessoa e da percepção errada do indivíduo com relação si —, o que falta para o sofrente é por certo o amor-próprio. — Como dizia o Jack: “vamos por partes”.
Sobre o momento atual das relações humanas, Sigmund Baumam muito bem descreveu em (Modernidade Liquida: “não há nada permanente, perene, porque os nossos compromissos e os deveres são volúveis, impermanentes”.)
Depois, sobre sentimentos envolvidos com o tema, temos: AFETO “é sentimento terno de afeição por pessoa…”; POSSE “é o que tem sentimento ou desejo de posse por alguém…” ; CARÊNCIA “é necessidade afetiva” e APEGO “ligação afetuosa, afeição.”
A grande repercussão e sucesso das canções populares (sofrência) sugerem que parcela significativa de pessoas têm uma concepção muito errada do que seja uma relação de amor.
Aliás, há uma clara confusão na cabeça destes (sofrentes), isto é, uma inabilidade para administrar seus sentimentos: falta-lhes a compreensão do que seja afeto, abster-se da posse, sopesar a carência e entender o apego. Trata-se apenas de resultado de apegos não correspondidos. E, estes, não nascem em decorrência de amor.
A sofrência, por certo, nada tem a ver com amor, porque no amor pressupõe a liberdade da pessoa amada em primeiro lugar.
Ao que parece, na cabeça de um sofrente embalado pelas (canções hits) há verdadeiro culto ao sofrimento e ao apego, sendo certo que isso retroalimente sua alma não evoluída.
Vejo o fenômeno sofrente, como de uma alma que está numa encruzilhada da evolução da espiritual: de um lado a própria percepção de si, é falha, do outro lado, não há respeito (reconhecimento) a liberdade do outro. E, por certo, o sofrente está resistindo a essa evolução. — e se o desapego fizer parte da nossa evolução?
Por fim, analisando as palavras da autora Milan Kundera: “A Insustentável Leveza do Ser, que nada mais é do que o alcance da plena liberdade. Não ter com que se preocupar, não ter a quem dar satisfações, não ter nada que lhe prenda em lugar algum. Vemos então que o PESO, conceito considerado negativo a ‘priori’, é mais que necessário, é indispensável para dar sentido à vida.”


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