Lembrei de uma frase icônica de John Lennon, líder dos Beatles: “Viver é fácil de olhos fechados.” Essa afirmação reflete uma escolha que muitos de nós fazemos ao longo da vida: ignorar a realidade. Talvez porque seja mais cômodo, menos doloroso. Afinal, fechar os olhos para as dificuldades ao redor evita o peso de uma escolha consciente.
A reflexão de hoje busca compreender por que algumas pessoas optam por essa atitude de indiferença. Por que fazemos de conta que as coisas ruins que acontecem com os outros não nos dizem respeito? Repetimos frases como: “Desde que não seja comigo ou com os meus, está tudo bem.” Mas será mesmo que está?
Regularmente, encontro exemplos que ilustram essa escolha egoísta. Pense no poder público cometendo uma injustiça: seja uma sentença equivocada ou uma sanção desproporcional que cause sofrimento a alguém.
Quantas vezes assistimos a essas cenas com total desinteresse, ignorando o impacto delas? Essa postura de indiferença não prejudica apenas quem sofre a injustiça, mas também quem escolhe viver alheio. Porque, ao ignorar, enfraquecemos nossa própria humanidade.
A Fábula do Rato e a Ratoeira
Há uma conhecida fábula corporativa que ilustra bem esse ponto:
Um rato, olhando pelo buraco na parede, viu o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Ansioso, pensou que fosse comida. Para seu desespero, descobriu que era uma ratoeira. Aterrorizado, correu ao pátio da fazenda para avisar a todos:
— Há uma ratoeira na casa!
A galinha respondeu:
— Isso é problema seu, não me prejudica.
O rato foi até o porco:
— Há uma ratoeira na casa!
— Lamento, mas só posso rezar por você, disse o porco.
Então, o rato procurou a vaca, que respondeu com indiferença:
— Uma ratoeira? Não é problema meu!
Desamparado, o rato voltou para casa. Naquela noite, a ratoeira capturou a cauda de uma cobra venenosa. No escuro, a esposa do fazendeiro foi verificar e acabou picada. Para tratá-la, o fazendeiro matou a galinha para fazer canja.
Como a doença da mulher piorou, os vizinhos vieram visitá-la. O fazendeiro sacrificou o porco para alimentá-los. Por fim, a mulher faleceu, e o fazendeiro precisou abater a vaca para preparar o funeral.
Moral da história: Quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco. O problema de um é, na verdade, problema de todos.
O Individualismo e as Fake News
Essa reflexão também serve para outro mal dos nossos tempos: a propagação de fake news. Quando compartilhamos informações sem verificar sua veracidade, nos tornamos cúmplices de um ciclo de desinformação que prejudica a coletividade. Notícias falsas não carregam bondade, apenas desagregam.
Somos Todos Conectados
Por fim, devemos refletir sobre o impacto do individualismo. Somos seres essencialmente sociais. Nunca viveremos isolados como ilhas. O individualismo desenfreado, que permeia nossa sociedade, tem contribuído para uma crise na psique coletiva, marcada pela perda de propósito e de conexão.
Devemos pensar no coletivo, agir com consciência e responsabilidade, e lembrar que nossas escolhas afetam não apenas a nós mesmos, mas a todos ao nosso redor. O problema de um pode, sim, ser o problema de todos. E o caminho para superar essas crises começa com empatia, solidariedade e ação.


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