#43 – Amor e a Trindade Humana: Refletindo Sobre o “Eu Te Amo”

Atire a primeira pedra quem nunca se debruçou sobre as próprias lágrimas, seja lamentando por um amor não correspondido ou por ter perdido um “grande amor.” Não precisamos pensar muito; é provável que haja unanimidade sobre esse tema.

A questão é: como saber se o que sentimos por alguém é amor, e de que tipo?

Antes de entrarmos na questão propriamente dita, vale destacar que nosso propósito aqui, como sempre, é refletir sobre o tema do ponto de vista empírico, baseado em nossas próprias experiências. Faremos isso com sensibilidade e uma boa dose de honestidade. Não temos a pretensão de explicar tudo.

Em primeiro lugar, é importante entender que o amor é algo muito peculiar para cada pessoa, algo que provém do íntimo. Para tornar essa reflexão mais acessível, é necessário organizar as ideias de forma didática.

Neste contexto, recorremos às definições dos autores do “O corpo fala” Pierre e Roland, que descreveram nosso íntimo como formado por três aspectos: razão, sentimento e instinto. Eles os representaram por três animais:

  • Águia: simboliza a razão, nossa consciência.
  • Leão: representa as emoções.
  • Boi: reflete os desejos e instintos.

Esses três animais compõem a trindade humana, pois pensamos, sentimos e desejamos. O mais importante é entender qual dessas partes está no controle quando dizemos “eu te amo” para alguém.

Na esfera externa, ou seja, na forma como manifestamos o amor, as culturas ao longo do tempo nos ensinaram que ele é algo sublime, misterioso e até divino, condicionado a rituais ou crenças. No entanto, o amor é bem mais terreno do que imaginamos, pois diz respeito ao que sentimos, independentemente de fé ou dogmas.

Os gregos classificaram o amor em cinco tipos principais:

  1. Ludus – Amor de alegria: descontraído, sem compromisso, voltado apenas para o prazer e a diversão.
  2. Storge – Amor de pai e mãe: baseado no cuidado e na relação familiar.
  3. Ágape – Amor incondicional: altruísta e universal, que nos inspira a fazer o bem ao próximo.
  4. Eros – Amor com desejo: paixão avassaladora, ligada ao desejo e à atração.
  5. Philia – Amor entre irmãos: sincero e compartilhado entre amigos, irmãos e, por vezes, em relacionamentos conjugais.

Embora respeitemos os mestres gregos, nosso interesse aqui é o amor manifestado em relação ao cônjuge ou à pessoa amada. Tudo o que externamos vem de dentro de nós, gerado pela nossa trindade humana — Águia, Leão e Boi.

Vejamos como cada um influencia nossos relacionamentos:

  • Águia (razão): Se sua personalidade é guiada pela razão, você analisará cuidadosamente os prós e contras antes de dizer “eu te amo.” Esse relacionamento tende a ser menos romântico e mais pragmático.
  • Leão (emoção): Se o lado emocional domina, você terá uma relação intensa, melosa e apaixonada, entregando-se de corpo e alma como se não houvesse amanhã.
  • Boi (instinto): Se seus instintos predominam, o amor será baseado na atração e na conveniência do momento. Quando o desejo acabar, o relacionamento também poderá se dissolver.

Como sempre buscamos respostas simples em nossas reflexões, a solução está no equilíbrio. Um relacionamento saudável surge quando os três “bichos” coexistem harmonicamente. Quando razão, emoção e desejo estão em sintonia, podemos dizer “eu te amo” com plenitude e sinceridade.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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