Atire a primeira pedra quem nunca se debruçou sobre as próprias lágrimas, seja lamentando por um amor não correspondido ou por ter perdido um “grande amor.” Não precisamos pensar muito; é provável que haja unanimidade sobre esse tema.
A questão é: como saber se o que sentimos por alguém é amor, e de que tipo?
Antes de entrarmos na questão propriamente dita, vale destacar que nosso propósito aqui, como sempre, é refletir sobre o tema do ponto de vista empírico, baseado em nossas próprias experiências. Faremos isso com sensibilidade e uma boa dose de honestidade. Não temos a pretensão de explicar tudo.
Em primeiro lugar, é importante entender que o amor é algo muito peculiar para cada pessoa, algo que provém do íntimo. Para tornar essa reflexão mais acessível, é necessário organizar as ideias de forma didática.
Neste contexto, recorremos às definições dos autores do “O corpo fala” Pierre e Roland, que descreveram nosso íntimo como formado por três aspectos: razão, sentimento e instinto. Eles os representaram por três animais:
- Águia: simboliza a razão, nossa consciência.
- Leão: representa as emoções.
- Boi: reflete os desejos e instintos.
Esses três animais compõem a trindade humana, pois pensamos, sentimos e desejamos. O mais importante é entender qual dessas partes está no controle quando dizemos “eu te amo” para alguém.
Na esfera externa, ou seja, na forma como manifestamos o amor, as culturas ao longo do tempo nos ensinaram que ele é algo sublime, misterioso e até divino, condicionado a rituais ou crenças. No entanto, o amor é bem mais terreno do que imaginamos, pois diz respeito ao que sentimos, independentemente de fé ou dogmas.
Os gregos classificaram o amor em cinco tipos principais:
- Ludus – Amor de alegria: descontraído, sem compromisso, voltado apenas para o prazer e a diversão.
- Storge – Amor de pai e mãe: baseado no cuidado e na relação familiar.
- Ágape – Amor incondicional: altruísta e universal, que nos inspira a fazer o bem ao próximo.
- Eros – Amor com desejo: paixão avassaladora, ligada ao desejo e à atração.
- Philia – Amor entre irmãos: sincero e compartilhado entre amigos, irmãos e, por vezes, em relacionamentos conjugais.
Embora respeitemos os mestres gregos, nosso interesse aqui é o amor manifestado em relação ao cônjuge ou à pessoa amada. Tudo o que externamos vem de dentro de nós, gerado pela nossa trindade humana — Águia, Leão e Boi.
Vejamos como cada um influencia nossos relacionamentos:
- Águia (razão): Se sua personalidade é guiada pela razão, você analisará cuidadosamente os prós e contras antes de dizer “eu te amo.” Esse relacionamento tende a ser menos romântico e mais pragmático.
- Leão (emoção): Se o lado emocional domina, você terá uma relação intensa, melosa e apaixonada, entregando-se de corpo e alma como se não houvesse amanhã.
- Boi (instinto): Se seus instintos predominam, o amor será baseado na atração e na conveniência do momento. Quando o desejo acabar, o relacionamento também poderá se dissolver.
Como sempre buscamos respostas simples em nossas reflexões, a solução está no equilíbrio. Um relacionamento saudável surge quando os três “bichos” coexistem harmonicamente. Quando razão, emoção e desejo estão em sintonia, podemos dizer “eu te amo” com plenitude e sinceridade.


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