Reflita por um momento: desde a Segunda Revolução Industrial, no século XIX, que aprimorou técnica e cientificamente o mundo, a sociedade tem se afastado cada vez mais de sua humanidade. Esse fenômeno econômico e social, frequentemente defendido e estimulado por políticas públicas sob o pretexto de desenvolvimento e progresso, trouxe avanços notáveis, mas também consequências profundas.
Hoje, estamos à beira de nos tornarmos parte integral desse processo, não como operários, mas como verdadeiros robôs produzidos em série. Nossa programação? Consumir produtos, serviços e entretenimento de forma automatizada, gerando, assim, uma geração de inconformados.
Aqui, buscamos refletir sobre o tema de forma empírica, sem a pretensão de esgotar o assunto. A questão central que levantamos é: como agir para não sermos tragados por esse sistema automatizado, onde as pessoas são educadas para desenvolver competências exigidas pelo “mercado”?
Esse condicionamento tem relegado as verdadeiras vocações individuais, atendendo apenas às expectativas da sociedade de consumo. Para ilustrar, no século passado, passamos a nos referir a nós mesmos como “recursos humanos” — uma terminologia que explicita nossa redução a meros componentes produtivos.
Desde então, temos nos comprometido exclusivamente com formações, carreiras e metas, afastando-nos do que realmente nos torna humanos: nossa capacidade de empatia. Como dizia Aristóteles: “A felicidade é o maior bem desejado pelos homens e o fim das ações humanas.”
Mas é evidente que, ao agirmos como produtos em série, não estamos perseguindo a felicidade genuína. A felicidade é um estado único e pessoal, impossível de ser padronizado ou produzido em massa.
O que vemos, no entanto, é assustador. Pessoas viajam e escolhem programas de lazer porque “está na moda.” Adquirem casas, carros, barcos e até aviões pelo mesmo motivo. Para essas, a vida se resume a um cardápio “à la carte” de metas ditadas pelo consumismo. Certamente, essas pessoas dificilmente lerão este texto, pois já estão profundamente inseridas no ciclo automático.
Por fim, precisamos agir com discernimento em nossas escolhas. Devemos nos perguntar constantemente: “Realmente preciso disso? Ou estou sendo levado pelo apelo do marketing, que me faz acreditar que necessito?”
Somente questionando e exercendo a nossa vontade própria podemos evitar sermos tragados pelo sistema automatizado. Resgatar nossa humanidade é mais do que um desafio; é uma necessidade urgente para que não sejamos reduzidos a autômatos sem identidade ou propósito.


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