#30 – Estresse: Alerta ou Armadilha?

Sentir-se tenso ou estressado por curtos períodos é algo até aceitável, especialmente na realidade líquida em que vivemos, tão bem definida por Zygmunt Bauman. Nesse cenário, nada é concreto ou duradouro — tudo muda constantemente: relacionamentos, valores e crenças. No entanto, quando essas preocupações deixam de ser eventuais e se tornam a regra em nosso cotidiano, é sinal de que algo está profundamente errado.

O mais curioso é que muitos de nós sequer tentamos compreender a origem desse estado de nervos à flor da pele. Vivemos ansiosos, angustiados e frequentemente fora de ação, acumulando frustrações no dia a dia. Para piorar, justificamos tudo culpando fatores externos, como a situação financeira, o trabalho, o relacionamento ou a família. Raramente enfrentamos o problema na sua verdadeira origem: dentro de nós mesmos.

Podemos pensar nesse problema como uma moeda de duas faces. De um lado, há a face ruim: dores no corpo, na cabeça e outras sensações desagradáveis que, para alguns, podem evoluir para doenças crônicas, como enxaquecas.

Mas existe também a face boa: o estresse, muitas vezes, é o mecanismo de alerta do organismo para nos avisar de que algo está errado. Ele chama atenção para questões que não são necessariamente doenças, mas estão relacionadas à nossa percepção de mundo — ou seja, à forma como encaramos a vida e seus desafios.

Aqui, como sempre, não pretendemos esgotar o tema, mas provocar reflexão. Por que é tão difícil aceitar que grande parte das soluções para nossos problemas vem de coisas simples ou até abstratas?

Muitos dos dilemas que nos causam dor e ansiedade são fruto de expectativas superestimadas — seja em relação a terceiros ou a nossas próprias ambições. Não estou dizendo que é possível viver sem estresse ou frustrações. Pelo contrário, isso faz parte da alma humana, pois vivemos em um mundo imperfeito habitado por pessoas igualmente imperfeitas.

No entanto, reconhecer isso nos ajuda a evitar o mergulho profundo nas preocupações, “como se não houvesse amanhã” (Prof. André Moraes).

Por fim, precisamos ter consciência: não podemos tudo e não somos super-heróis. É importante compreender que as pessoas são falíveis, e pouco ou nada podemos fazer para mudar isso. Devemos também cultivar a atitude de evitar situações que nos exponham constantemente a conflitos e tensões, especialmente ao nos envolvermos em problemas alheios de forma gratuita. Afinal, muitas vezes, a chave para aliviar o estresse está em simplificar nossas expectativas, cuidar da nossa percepção e, acima de tudo, lembrar que a paz começa dentro de nós.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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