“O que sinto por você é maior que o sol, o mar e as estrelas… não vivo sem você… faço tudo por você… Você é a coisa mais importante do mundo para mim. “
Quem nunca ouviu ou disse algo assim pelo menos uma vez? Ainda assim, as palavras nem sempre bastam para expressar o que sentimos.
Segundo a filosofia, o desejo é uma tensão em direção a um fim que, para quem deseja, é considerado uma fonte de satisfação. Essa tendência pode ser consciente, inconsciente ou até reprimida.
No senso comum, o desejo ganhou um status elevado, quase como um sentimento nobre — algo que ele nunca foi. Ele emerge dos nossos instintos e, muitas vezes, da soberba e do egoísmo.
Não é difícil perceber como o desejo foi impulsionado pelo consumismo: está na moda, nas novelas, músicas, cinema e até em parte da literatura. Soma-se a isso o individualismo crescente e a banalização das relações humanas, onde pessoas se transformam em coisas. Essa distorção confunde mentes frágeis e desinformadas, ao ponto de dificultar a distinção entre desejo e amor.
Para a psicanálise, o ser humano é um poço de desejo (Freud). Já no misticismo judaico, na Cabala, o desejo é visto como a essência central do ser humano — somos feitos de desejo. Não há nada de errado em querer algo ou alguém; faz parte da nossa natureza humana.
No entanto, é fundamental compreender: desejos são apenas desejos. Eles podem ser intensos, mas não possuem a profundidade e a transcendência que definem o amor.


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