#37 – Vazio Interior: Reflexões e Caminhos Para a Superação

Quem nunca se sentiu triste sem motivo aparente? Ou percebeu que, ao conversar com alguém que declara estar triste, é comum ouvir relatos de desilusão, desalento, desesperança e melancolia? Frequentemente, essas pessoas apresentam uma lista de problemas e justificativas para o vazio que sentem.

Nosso objetivo aqui é provocar reflexões baseadas em experiências empíricas. Não pretendemos responder a todas as questões, mas inspirar cada um a buscar o autoconhecimento e encontrar suas próprias respostas.

Vivemos em um mundo de realidade líquida, como destacou Zygmunt Bauman, onde a sensação de vazio e angústia tornou-se alarmantemente comum, especialmente nas redes sociais. Tão comum que já se fala de uma iminente epidemia de depressão neste século.

Vamos por partes, como diria o “Jack, o Estripador”.

Primeiramente, é importante excluir desta análise as pessoas que sofrem de patologias clínicas. Essas necessitam de tratamento médico e acompanhamento profissional, pois enfrentam desequilíbrios químicos. Para esses casos, a reflexão não é o caminho imediato, mas sim a busca por ajuda especializada.

Quanto aos demais, que representam a maioria dos casos de vazio e insatisfação consigo mesmos, a boa notícia é que isso tem solução. Como disse André Morais, meu professor de mercado financeiro: “A solução é simples, mas não é fácil.” Essa frase resume bem o necessário para tratar o vazio interior. Todas as respostas, assim como as angústias, estão dentro de nós.

Por sermos seres conscientes, temos a capacidade de fazer escolhas livres. Isso nos torna senhores de nós mesmos. Contudo, é fundamental destacar que esse processo não está ligado a dogmas religiosos. Ter fé, ou não, é algo que pode ser aprendido ou desenvolvido, mas o autoconhecimento exige coragem para enfrentar nossos próprios monstros interiores.

O maior desafio é encarar quem realmente somos e deixar de lado os preconceitos e dogmas. Descobriremos que as coisas que nos afligem estão diretamente ligadas à nossa percepção de mundo.

Tomemos como exemplo os vícios: ao contrário do que se costuma dizer, não se trata de demônios ou forças externas nos controlando, mas da nossa dificuldade em lidar com nossos próprios instintos e impulsos. A solução, muitas vezes, é tão simples quanto decidir: “Não quero beber, não beberei.”

Muitos dizem: “Já tentei religião, simpatias, promessas e nunca consegui superar isso.” Ou ainda: “Fui vítima de um casamento opressor” ou “Meus pais foram muito severos comigo.” Essas são formas de terceirizar a responsabilidade, uma fuga do enfrentamento interno necessário.

De forma análoga aos vícios, nossa concepção de mundo frequentemente nos aprisiona. Esperar que as pessoas ajam conforme nossas expectativas é viver no reino das utopias. Como ouvi de minha filha Rebeca, aos cinco anos: “Cada pessoa é uma pessoa.”

Por fim, a escolha está em nossas mãos. Podemos agir ou não, mas sempre com convicção e foco. Não devemos esperar que o mundo se ajuste aos nossos desejos. Como dizem os evangelhos: “Onde estiver o seu tesouro, ali estará o seu coração.” Cuide para escolher com sabedoria o que considera valioso.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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