Crescer apenas em estatura física, intelectualidade e condição financeira não basta. Quando usamos o termo “fulano(a) já é grande,” geralmente estamos nos referindo à maturidade.
Contudo, frequentemente encontramos atitudes e comportamentos imaturos em adultos que deveriam, teoricamente, ser maduros. Por que, para algumas pessoas, a maturidade nunca acontece?
Observando o comportamento de pessoas na faixa etária de 40 a 50 anos, de ambos os sexos, que normalmente associamos à maturidade, constatamos, infelizmente, que muitos ainda demonstram comportamentos infantis. É impressionante perceber como existem “bebês chorões” na vida adulta, mesmo entre aqueles que já criaram filhos.
Os sábios da antiguidade acreditavam que o homem só deveria se envolver com os mistérios dos mundos superiores — temas complexos e espirituais — após completar 40 anos e ter ao menos dois filhos. Penso que eles supunham que as dificuldades do cotidiano, como relacionamentos e cuidar de uma família, seriam suficientes para gerar maturidade. Atualmente, porém, essa visão precisa ser revista. É evidente que a idade, por si só, não torna uma pessoa madura.
A maturidade precisa ser construída de dentro para fora. Não se trata de adquirir um “status” de maduro ao se conformar às imposições externas ou enfrentar as adversidades de forma rígida. Pelo contrário, a maturidade é fruto do autoconhecimento. É compreender a si mesmo em profundidade e permitir que esse entendimento molde nossa psique e nossas ações.
O ponto central dessa reflexão é o autoconhecimento — a capacidade de realizar autoanálise, autocrítica e lapidar nossa “pedra bruta,” como dizem as escolas iniciáticas.
Nosso comportamento e atitudes estão diretamente ligados à nossa percepção da realidade. Por isso, o conselho do oráculo de Delfos continua atual: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses.” A maturidade está intrinsecamente relacionada ao nosso nível de evolução como seres humanos.
Uma pessoa verdadeiramente madura demonstra independência afetiva, por exemplo. É aquela que, ao término de um relacionamento, não carrega amargura ou “maus sentimentos”, como já mencionou o Ministro Luiz Fux. Pelo contrário, entende que esses comportamentos não refletem maturidade. Da mesma forma, pessoas imaturas tendem a culpar o mundo e os outros por seus fracassos, sem nunca olhar para suas próprias fraquezas — que, ao final, costumam ser as verdadeiras raízes de suas desgraças.
Portanto, independentemente da idade, é essencial compreender a si mesmo. É importante aprender sobre os diversos aspectos da vida, reconhecer nossas limitações e trabalhar para superá-las. Quando isso não for possível, é necessário aceitar que determinados caminhos ou relacionamentos não foram feitos para nós — e ponto final.
Por fim, ser “grande” é fazer escolhas conscientes, assumir responsabilidades por elas e evitar iniciar algo sabendo que é errado na esperança de que um dia possa ser corrigido. Afinal, não há garantias de sucesso nesse tipo de atitude.


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