Hoje pela manhã, me peguei entediado, sem motivo aparente. Como sou empirista e adoro compreender o que se passa comigo, encarei esse estado como um convite para reflexão.

O sentimento de tédio é, acredito, familiar a todos. Até mesmo as crianças experimentam esse estado. Mas por que, afinal, nos sentimos entediados sem uma razão aparente? Às vezes, esse tédio vem acompanhado de um vazio interno, uma espécie de solidão, mesmo sem pensarmos em algo específico.

Esse sentimento pode ter várias origens, mas acredito que sua causa esteja mais próxima de nós do que imaginamos. Para compreender como mente e corpo se integram nesse processo, podemos recorrer à psicologia analítica de Jung ou à psicanálise de Freud. Ambas nos ensinam que muitas de nossas emoções e sensações emergem de conteúdos inconscientes — desejos e conflitos que não alcançam nossa percepção clara, mas que ainda assim influenciam profundamente nossa experiência.

Quem não tem o hábito da autoanálise geralmente culpa fatores externos: o clima, o local, outras pessoas ou circunstâncias. E, invariavelmente, busca uma fuga, como na bebida ou em formas banais de entretenimento, como redes sociais.

O tédio, muitas vezes, reflete um afastamento de nossa própria essência, daquilo que realmente nos move e dá sentido à nossa existência. Jung, por exemplo, apontava que a conexão com o Self — nosso núcleo psíquico mais profundo — é essencial para encontrar significado na vida. Quando nos desconectamos dessa busca interior, a vida parece vazia, repetitiva e sem propósito.

Além disso, a psicanálise sugere que o tédio pode ser uma forma de resistência: uma fuga inconsciente de emoções que preferimos evitar ou de tarefas que nos forçariam a confrontar partes de nós mesmos que não estamos prontos para encarar.

Nesse contexto, o autoconhecimento é uma ferramenta indispensável. Olhar para dentro, reconhecer nossas emoções, anseios e medos nos permite entender as verdadeiras causas do tédio. Ao nos conhecermos mais profundamente, podemos identificar o que nos falta, o que nos incomoda e o que nos impede de nos sentirmos plenos.

O autoconhecimento não é um caminho fácil, mas é libertador. Ele transforma o tédio em um convite para explorar nosso mundo interior e nos reconectar com aquilo que realmente importa. Afinal, muitas vezes, o que buscamos está mais próximo do que imaginamos: está dentro de nós.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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