Aprender é, talvez, o verbo que mais me impulsiona a agir diariamente. Não há nada mais importante a que possamos dedicar nosso entendimento do que ao amor. Ele é mais do que um simples sentimento; é algo que nos move em direção à completude do ser.

Infelizmente, vejo o conceito de amor sendo frequentemente deturpado, como nas canções populares no Brasil. Nessas expressões culturais, o amor é muitas vezes reduzido a um produto a ser conquistado, algo exterior a ser possuído.

No entanto, o amor é muito mais do que isso; não é algo que se conquista, mas que se vive.

Desde a primeira obra de Jung que li, ele tem sido para mim um grande pensador, alguém que buscou compreender a alma humana em toda a sua complexidade.

Hoje, nossa reflexão é sobre o amor na visão da psicologia analítica de Carl Gustav Jung:

O amor é a força mais poderosa da existência. Não é apenas um sentimento efêmero ou uma emoção passageira, mas a essência que permeia e sustenta toda a criação.

Para Jung, o amor não é algo que buscamos apenas no exterior, mas uma jornada interior que nos desafia a confrontar nossas sombras – aquelas partes desconhecidas ou reprimidas de nós mesmos – e a integrar o que há de inconsciente em nossa psique.

Como podemos abrir nosso coração se ele está preso por barreiras que nós mesmos construímos ao longo da vida?

Essas barreiras, formadas por medo, orgulho e traumas, nos afastam da experiência plena do amor. Reconhecê-las é o primeiro passo para derrubá-las, um processo que Jung descreve como individuação: o caminho para nos tornarmos completos.

Amar verdadeiramente exige coragem, não perfeição. Trata-se de aceitar a si mesmo e ao outro como são – não para acomodar-se à imperfeição, mas para enxergá-la com os olhos da compreensão e da compaixão. Afinal, o amor não é encontrar o perfeito, mas descobrir a beleza no imperfeito.

O amor é também uma força magnética que nos guia. Ele atrai o que há de melhor em nós e nos desafia a transformar aquilo que tememos enfrentar. Para Jung, o amor pode ser visto como uma energia arquetípica que nos conecta ao Self – nosso centro psicológico e espiritual, o ponto de equilíbrio entre consciente e inconsciente.

Quando amamos, somos chamados à autenticidade, à conexão e à entrega. É um processo que rejeita máscaras e nos conduz ao encontro de nossa verdade mais profunda, aquela que vai além do ego.

Sem amor, simplesmente existimos; não vivemos. É ele que nos move, que nos dá propósito, que nos faz humanos. Para Jung, viver sem amor é viver à sombra do ego, preso aos desejos superficiais, distante do potencial pleno do Self.

Por outro lado, viver com amor nos possibilita uma transformação profunda. É através do amor que transcendemos nossas limitações e experimentamos a totalidade do ser.

Por fim, o amor transcende o que sentimos. Ele não é um simples afeto ou emoção, mas uma energia que está além da compreensão racional. Para Jung, o amor é uma manifestação arquetípica do inconsciente coletivo, um elo que une todas as coisas e nos conecta ao todo. Ele é, em sua essência, uma expressão do sagrado, o que há de mais sublime no universo. Como uma ponte, o amor nos permite tocar a essência da vida, que é ao mesmo tempo única e universal.

Assim como uma árvore que cresce e floresce quando suas raízes estão saudáveis, o amor só pode florescer em nossas vidas quando enfrentamos e transformamos as barreiras que bloqueiam sua expressão. Que possamos, então, dedicar nossas vidas não apenas a amar, mas a remover os obstáculos dentro de nós que nos impedem de vivenciar essa força em sua plenitude.

O amor, afinal, não é apenas o destino; é o caminho.

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Sou Elizeu

O que posso dizer sobre mim? Sou aquariano, nascido no Sul e criado na Amazônia Ocidental — com os olhos voltados para o céu e o coração profundamente enraizado na terra.

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