Você já se perguntou por que algumas pessoas sofrem com más escolhas, mas não conseguem mudar?
Metaforicamente, o ser humano pode ser comparado a um microuniverso em formação – o caos primordial de onde tudo surge representa as infinitas possibilidades decorrentes das nossas escolhas.
Há muito tempo, alguém sábio afirmou: “Existem dois tipos de pessoas no mundo: as que são ignorantes e as que são ignorantes, mas se acham sábias.” Nesse contexto, acredito que a ignorância mais significativa seja a daqueles que não aprendem com seus próprios erros ou transferem para outros a responsabilidade por suas escolhas.
Recentemente, um acontecimento me levou a refletir ainda mais sobre isso. Tudo aconteceu ontem pela manhã. Recebi uma ligação:
“Doutor”, dizia o áudio no WhatsApp, “o fulano foi preso novamente. Ele rompeu a medida protetiva.”
De novo? “Sim, doutor. Ele destruiu o interior do próprio carro e ameaçou a ex-esposa.”
Esse homem já havia sido detido outras duas vezes por violência doméstica. Apesar do divórcio, ele insiste em um relacionamento que há tempos demonstrou ser inviável.
O mais intrigante é que, profissionalmente, ele é uma pessoa competente e, em muitos sentidos, um homem honrado. Mas, emocionalmente, parece preso a um ciclo destrutivo que não consegue romper.
Lembro-me da última vez que o visitei na cadeia. A primeira coisa que ele me disse foi: “Doutor, isso não é nada. Ela me ama.”
Eu perguntei: “Você sabe que isso não é verdade. Por que insiste nesse relacionamento?”
Agora, pela terceira vez, sou chamado para lidar com o mesmo caso. É triste ver alguém preso não apenas pelas grades, mas pelas escolhas repetidas que o mantêm estagnado.
Pense por um instante. Talvez você conheça alguém assim. Ou, quem sabe, até reconheça algo de si mesmo nessa descrição: pessoas que reclamam da vida, culpam a própria falta de sorte e seguem repetindo os mesmos erros, esperando resultados diferentes.
Por que o espírito humano tem essa inclinação para desviar-se de sua própria essência? Existe uma expressão de autor desconhecido que diz: “Ninguém pode negar a si mesmo indefinidamente.” Confesso que essa frase me impactou profundamente e foi um dos gatilhos para minha jornada de autoconhecimento.
Por fim, a verdadeira prisão não é aquela feita de grades, mas aquela construída dentro de nós – pelos nossos medos, ilusões e escolhas repetidas. Libertar-se exige um ato de coragem: olhar para o próprio caos, reconhecer as correntes invisíveis que nos prendem e ter a audácia de construir um novo caminho. Porque, no fim, o único guardião da nossa liberdade somos nós mesmos.


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