O que somos? Essa é uma questão que, para muitas pessoas com quem interajo, parece não ter tanta importância. Para mim, no entanto, é de suma relevância. Penso que não faz sentido existir sem buscar compreender o propósito de ser.
Essa necessidade de autocompreensão me acompanha desde muito cedo. Quando criança, já achava o mundo injusto e cruel. Na minha visão infantil, não fazia sentido acreditar que todos fossem amados e abençoados neste mundo. Essa inquietação plantou em mim uma busca contínua por respostas, um anseio por entender o que, afinal, sustenta nossa existência.
Ainda assim, acredito que a alma — ou espírito — é imortal. Contudo, não vejo como definitiva a visão espiritualista que trata do mundo dos espíritos. Na minha perspectiva, se fosse assim, não haveria sentido na comunicação entre as realidades espirituais e materiais. A existência é mais complexa, e acredito que ela opera em uma harmonia que vai além das explicações tradicionais.
Por outro lado, com base em minhas próprias experiências ao longo de quase 60 anos, posso afirmar com convicção que existe uma ordem universal. Seja em eventos sutis, como um pensamento (insight), ou em acontecimentos grandiosos, como a erupção de um vulcão, acredito que nada ocorre de forma aleatória. Há algo maior, algo que organiza e conecta tudo.
Sou fascinado pelo efeito borboleta, popularizado por Edward Lorenz. Essa famosa metáfora — “uma borboleta batendo as asas no Brasil pode, hipoteticamente, desencadear um tornado no Texas” — foi criada para ilustrar a sensibilidade das condições iniciais nos sistemas climáticos. Lorenz mostrou como pequenas mudanças podem levar a eventos de grandes proporções.
No contexto da reflexão sobre autodefinição, essa metáfora me faz pensar na conexão intrínseca de tudo. Acredito que nenhuma ação — seja sobre a natureza ou sobre outro ser humano, como um pensamento ou uma palavra — deixa de ter consequências, muitas vezes de proporções imprevisíveis. Estamos todos interligados, em uma ordem que, embora não compreendamos completamente, é inegavelmente presente.
Por fim, somos, então, como borboletas, cujas asas invisíveis ressoam no universo. Cada pensamento, cada palavra, cada ação, por mais insignificante que pareça, carrega em si o poder de moldar a existência. Compreender isso é aceitar que não estamos isolados; somos parte de uma ordem universal que nos une e nos desafia a sermos conscientes do impacto que deixamos no mundo.
E não importa se acreditamos nisso ou não, essa é uma realidade universal. Descobrir o que somos não é apenas um fim, mas um convite para viver com propósito e consciência, sabendo que até os menores atos podem ecoar em dimensões que jamais imaginamos.


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