Desde a minha mais tenra infância, fui educado sob o manto do dogmatismo, que me instigava com um simples, porém poderoso, mantra: “Acredite e você será salvo”. Tal ensinamento me acompanhou pela juventude, época em que comecei a questionar a ideia de que a fé cega em uma divindade poderia ser considerada o ápice da existência humana. À medida que adentrei na fase adulta, as crenças e os dogmas que até então norteavam minha vida começaram a parecer repletos de contradições. A premissa de que bastaria crer para ser salvo levantava uma questão ainda mais profunda: por que, afinal, precisaríamos ser salvos?
Com o passar do tempo, tornei-me cético quanto às doutrinas que haviam sido incutidas em mim, percebendo-as como meras ferramentas de doutrinação e de crença sem questionamentos, distantes do verdadeiro significado de espiritualidade. O dogmatismo, que uma vez governou minha consciência infantil, parecia apenas terceirizar minhas escolhas, colocando-me numa constante espera pelo julgamento de minhas ações por uma entidade externa.
No entanto, à medida que minha maturidade mental se expandiu, minha visão do cosmos se ampliou, e percebi que a fé não oferece as respostas verdadeiras sobre a alma. Ao contrário, ela aprisiona o indivíduo em sua jornada, reduzindo-o a uma condição de submissão, onde ser uma “ovelha” pode até parecer divino, mas é o conhecimento que verdadeiramente nos permite acessar a verdade.
Ao refletir sobre conceitos como o reino dos céus, o salvador, o inferno e o diabo, entendi que estes são metáforas para descrever os diversos estados da alma humana. Desta forma, céu e inferno não se referem a locais físicos, mas sim a estados de consciência que habitam exclusivamente em nossa mente. O julgamento implacável, antes visto como divino, na verdade, reflete o julgamento do nosso próprio superego, moldado pelos valores e regras morais incutidos em nós desde a infância.
Ao deixar de lado as crenças em um julgamento severo e em um inferno punitivo, tudo se tornou mais claro. O “pecado” não é a transgressão de leis divinas, mas sim a violação dos meus próprios valores, fruto de uma construção psíquica desenvolvida desde os primeiros anos de vida, um processo que Freud identificou como o superego.
Essa jornada de questionamento e de reavaliação das minhas crenças me levou a uma reflexão impactante sobre a relação entre crença, verdade e conhecimento. Compreendi que a verdadeira sabedoria não reside em aceitar passivamente o que nos é ensinado, mas em ousar questionar e buscar respostas por nós mesmos. O conhecimento, portanto, não é um destino final, mas uma jornada contínua de descoberta, onde cada questionamento abre portas para novas compreensões.
Nessa trajetória, aprendi que a crença sem questionamento é um obstáculo à verdadeira compreensão. A verdade, por sua vez, não é uma entidade estática, mas uma luz que se revela gradualmente à medida que expandimos nosso conhecimento e nossa capacidade de questionar o mundo ao nosso redor. Portanto, a jornada em busca do conhecimento e da verdade é, em essência, uma jornada de liberdade – a liberdade de explorar, de questionar e, sobretudo, de crescer. É nesse processo contínuo de aprendizado e autoquestionamento que encontramos não apenas respostas, mas também o verdadeiro sentido da espiritualidade e da existência humana.


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